França e Alemanha condenam declarações de ministro israelense que defendeu mortes em Gaza
A França e a Alemanha condenaram nesta quarta-feira (19) as declarações do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que defendeu a realização de assassinatos em Gaza e afirmou que Israel deveria matar "30 ou 40" pessoas "todas as noites" no território palestino.
O chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, reagiu às declarações do ministro israelense. Em entrevista ao jornal La Montagne, ele afirmou que as palavras do integrante do governo de Benjamin Netanyahu justificam as medidas restritivas já adotadas por Paris.
"É por isso que sancionamos o ministro Ben-Gvir, cujas declarações recentes são insuportáveis e desumanas", declarou Barrot.
Desde 23 de maio, Ben-Gvir está proibido de entrar em território francês. A medida foi anunciada após a divulgação de um vídeo que mostrava ativistas da chamada "Flotilha de Gaza" ajoelhados e com as mãos amarradas.
O ministro francês das Relações Exteriores também voltou a denunciar a situação nos territórios palestinos ocupados. "O que está acontecendo hoje na Cisjordânia é absolutamente vergonhoso e deveria nos revoltar a todos", afirmou.
Barrot não descartou a adoção de novas restrições visando colonos israelenses envolvidos em ataques recentes na Cisjordânia. "Pela terceira vez, em 28 de maio, impusemos sanções europeias contra esses colonos. Novas sanções podem ser impostas, e todas as opções estão sobre a mesa", afirmou.
Além de Ben-Gvir, a França também proibiu a entrada do ministro israelense das Finanças, Bezalel Smotrich, figura da extrema direita que, segundo Paris, defende a anexação da Cisjordânia e a recolonização da Faixa de Gaza.
Alemanha fala em violação do direito internacional
Em Berlim, o chanceler Friedrich Merz condenou "nos termos mais fortes possíveis" as declarações do ministro israelense. Por meio de seu porta-voz, Sebastian Hille, o governo alemão descreveu as falas de Ben-Gvir como "apelos desumanos que violam o direito internacional" e classificou as declarações como "inaceitáveis".
As declarações do israelense foram feitas durante uma entrevista que ganhou ampla repercussão no mundo árabe. Em um podcast com um ex-refém mantido em Gaza, Ben-Gvir defendeu a realização de assassinatos seletivos de palestinos.
"Acho que assassinatos seletivos deveriam ser realizados todas as noites em Gaza. Matar 30 ou 40", afirmou.
"Não apenas aqueles que estão colocando vocês em perigo agora. Essas são pessoas que não deveriam estar vivas", acrescentou, antes de concluir: "Estou lhes fazendo um elogio ao chamá-los de seres humanos".
Preocupação crescente com a Cisjordânia
O governo alemão também reagiu às medidas adotadas recentemente por Israel na Cisjordânia ocupada, incluindo novos projetos de construção de moradias em assentamentos israelenses. Segundo Sebastian Hille, essas decisões estão sendo acompanhadas "com grande preocupação" pelo chanceler Merz, que já abordou o tema diretamente com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em reuniões privadas e declarações públicas.
"Não deve haver mais medidas de anexação na Cisjordânia, sejam elas formais, políticas, relacionadas à construção ou de qualquer outra natureza", afirmou o porta-voz.
Segundo Berlim, iniciativas desse tipo comprometem a perspectiva de uma solução negociada para o conflito. "Elas contrariam a solução de dois Estados", lamentou o porta-voz do governo alemão.
Com AFP
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