França: casos precoces de transmissão local da chikungunya colocam autoridades sanitárias em alerta
A doença, transmitida pelo mosquito tigre, já circula em um nível inédito para esta época do ano. O alerta foi feito nesta quarta-feira (25) pela agência de saúde pública francesa, a Santé publique France, em seu boletim semanal.
A doença, transmitida pelo mosquito tigre, já circula em um nível inédito para esta época do ano. O alerta foi feito nesta quarta-feira (25) pela agência de saúde pública francesa, a Santé publique France, em seu boletim semanal.
"Uma precocidade tão grande na atividade do mosquito e um número tão elevado de episódios nunca haviam sido observados até agora" na França, destaca a agência.
Oito casos autóctones da doença, que inclui sintomas como febre e dores nas articulações, já foram registrados desde meados de junho nas regiões de Hérault, Var, Bouches-du-Rhône, Drôme, Gard, no sul da França, além da Córsega.
Um caso autóctone significa que a contaminação foi local. A chikungunya, que assim como a dengue é transmitida por picadas de mosquitos tigres, circula ativamente na França metropolitana e é responsável por uma epidemia que já dura meses na ilha da Reunião.
O inseto chegou à França há cerca de 20 anos, favorecido pelo aquecimento global. Desde então, casos autóctones de chikungunya ou dengue são registrados regularmente.
Mas esse nível de circulação nunca havia sido observado no início do verão europeu, mesmo em relação a outras doenças transmitidas pelo mosquito tigre, como a dengue ou o zika.
"Em 2024, ano recorde em termos de episódios de dengue, apenas um caso havia sido identificado no mês de junho" e "em 2023, o primeiro episódio foi em julho", exemplifica a agência de saúde francesa.
Essa situação inédita, ressalta o órgão, está em parte relacionada à epidemia na ilha da Reunião. As autoridades sanitárias estimam que cerca de 200 mil habitantes foram afetados, e pelo menos 20 pessoas morreram desde março.
Na França, "em pelo menos dois casos autóctones, a cadeia de contaminação que resultou na transmissão local tem provavelmente origem na Reunião", destaca a Santé publique France.
A agência já vinha alertando há várias semanas sobre o aumento desse risco após a identificação de 600 casos importados de chikungunya, a maioria vindos do território ultramarino.
Na ilha da Reunião, com o inverno, a epidemia em breve chegará ao fim. A circulação do vírus, segundo a agência francesa, está agora "limitada a alguns municípios e sem impacto significativos nos Pronto-Socorro".
Outra epidemia também atinge neste momento Mayotte, departamento francês no oceano Índico, mas ainda não há estimativas sobre o número de casos.
Doença pode se espalhar na França?
O nível de circulação atual da chikungunya deve superar todos os recordes anteriores de casos autóctones: 12 em 2014 e 17 em 2017, especialmente porque os focos de transmissão parecem estar mais dispersos geograficamente este ano.
As altas temperaturas também são um parâmetro que influenciam diretamente a disseminação da doença. A França já enfrentou uma nova onda de calor neste mês de junho e outro episódio está previsto para os próximos dias.
Nesse contexto, a agência de saúde pública francesa pede maior vigilância contra a transmissão da chikungunya e "lembra a importância da notificação dos casos, que permite uma intervenção rápida para limitar a transmissão autóctone e ressalta a importância das medidas de proteção contra picadas de mosquitos e de combate aos criadouros de larvas."
Com informações da AFP