Eleições municipais na França: participação nas primeiras horas de votação tem ligeiro neste 2° turno
Os eleitores de mais de 1.500 municípios em toda a França começaram a votar neste domingo (22) para o segundo turno das eleições municipais. Ao meio-dia, o Ministério do Interior contabilizava cerca de 20,33% de participação do eleitorado.
Esse número representa um ligeiro aumento, de quase um ponto percentual, em comparação com o primeiro turno, realizado em 15 de março, quando 19,37% havia votado no mesmo horário, segundo o Ministério do Interior.
Aproximadamente 17,1 milhões de eleitores estão aptos a votar em 1.580 municípios, de um total de cerca de 35 mil, neste segundo turno. As urnas abriram às 8h e serão fechadas às 18h nas cidades menores e às 20h nas maiores (14h e 16h de Brasília, respectivamente).
Questões-chave desta eleição
Resta saber como a participação evoluirá ao longo do dia. Um ano antes da eleição presidencial, o engajamento do eleitor é uma das principais questões neste pleito repleto de incertezas, ao lado do desempenho dos candidatos de direita e esquerda.
No último domingo, a participação foi historicamente baixa para eleições municipais, com apenas 57%. Em Paris, os eleitores estiveram um pouco mais mobilizados, com quase 59% comparecendo às urnas.
Em Lyon, terceira maior cidade da França, 64% foram às urnas. Entre eles, Benjamin, um engenheiro de 35 anos, que votou logo cedo neste domingo, acreditando que "no clima atual, não se poderia deixar de votar".
Os resultados são esperados a partir das 20h, mas a definição pode demorar até mais tarde em algumas cidades.
Disputa acirrada em Paris
Em Paris, a candidata de direita e ex-ministra da Cultura, Rachida Dati enfrenta o socialista Emmanuel Grégoire, representante da esquerda, que está no poder há 25 anos na capital. Grégoire ficou em primeiro lugar no primeiro turno, o que pode apontá-lo como favorito. Mas a candidata da esquerda radical, Sophia Chikirou, da França Insubmissa (LFI), manteve sua candidatura, tornando o segundo turno ainda mais incerto.
Em Marselha (sul), o prefeito de esquerda Benoît Payan, por outro lado, foi favorecido pela desistência do candidato da LFI e parte com vantagem sobre Franck Allisio, candidato do Reunião Nacional (RN, extrema direita), que o seguia de perto no primeiro turno.
Em várias cidades, como Nantes (oeste), os socialistas aceitaram o apoio da LFI para não serem derrotados pela direita em seus redutos. Em Toulouse (sudoeste), eles também se aliaram à França Insubmissa.
A LFI, por sua vez, mira outras grandes cidades, como Roubaix (norte), depois de ter vencido em Saint-Denis (região parisiense) já no primeiro turno.
Uma das disputas mais acirradas ocorre em Lyon (centro-leste): o prefeito ecologista Gregory Doucet está em empate técnico com o direitista Jean-Michel Aulas, ex-presidente do Olympique Lyonnais (clube de futebol local).
Do lado da direita moderada, o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe está em posição favorável no Havre (oeste). Ele condicionou sua possível candidatura à presidência em 2027 à sua reeleição como prefeito.
Extrema direita se consolida
O Reunião Nacional, que se tornou o maior partido da França nas legislativas de 2024 e confirma seu avanço em nível local, mira cidades como Toulon, Nîmes e Carcassonne (todas no sul), além de ter mantido no primeiro turno a maioria das cidades que já controlava, como Perpignan (sul).
O partido conta especialmente com seu aliado Éric Ciotti, favorito em Nice (sudeste), para consolidar a estratégia de união entre direita e extrema direita, que seu presidente, Jordan Bardella, tenta impor para as presidenciais.
Após uma campanha conturbada, este pleito simboliza as divisões da direita diante do crescimento da extrema direita. O líder dos Republicanos, Bruno Retailleau, recusou-se a apoiar o candidato à reeleição Christian Estrosi (do partido Horizonte, de Édouard Philippe), apesar dos acordos firmados entre as lideranças.
RFI com agências