Dinamarca: Partido Social-Democrata vence pleito parlamentar, mas perde força e não garante maioria
O Partido Social-Democrata da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, ficou em primeiro lugar nas eleições legislativas desta terça-feira, mas sem garantir maioria absoluta mesmo com o apoio dos demais partidos de esquerda, segundo os resultados definitivos anunciados nesta quarta-feira (25). Ela apresentou sua renúncia ao rei Harald V, informou o palácio real em comunicado.
O rei deve receber os partidos para iniciar as negociações sobre a formação de um futuro governo de coalizão, que prometem ser complexas. O partido centrista Moderados deve desempenhar um papel-chave nessas discussões.
Com 21,9% dos votos, o Partido Social-Democrata teve seu pior desempenho em mais de um século, abaixo dos 27,5% obtidos em 2022.
"Esperávamos perder votos, o que é normal quando se concorre pela terceira vez", disse Mette, que lidera o governo desde 2019. "Lamento não termos recebido mais votos."
Os cinco partidos do bloco de esquerda conquistaram 84 das 179 cadeiras do Parlamento. Já os seis partidos de direita somaram 77 assentos.
Os Moderados (centro), liderados pelo ministro das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, conquistaram 14 cadeiras e terão papel decisivo nas negociações para a formação do próximo governo, que devem ser particularmente difíceis.
Mette Frederiksen lidera, desde 2022, uma coalizão inédita entre direita e esquerda, que inclui os Moderados. Ela era a favorita para um terceiro mandato, impulsionada, entre outros fatores, por sua oposição aos planos do presidente americano, Donald Trump, de assumir o controle do território autônomo da Groenlândia.
O líder dos Liberais, que também integravam a base governista, descartou voltar a colaborar com a esquerda. Já o Partido Popular Socialista, de esquerda, tornou-se pela primeira vez a segunda maior força política do país, com 11,6% dos votos.
Avanço da extrema direita
O Partido Popular Dinamarquês, de extrema direita e anti-imigração, que havia perdido força em 2022, triplicou seu resultado e alcançou 9,1% dos votos.
"As pessoas podem não gostar realmente dela, mas a veem como a líder adequada (...) uma figura unificadora em um mundo cheio de incertezas, e os dinamarqueses estão bastante ansiosos", afirmou, antes das eleições, a analista política Elisabet Svane, do jornal Politiken.
"As alternativas são piores", comentou a estudante Freja Strandlod, de 24 anos, após votar na capital.
Mobilização na Groenlândia
Os territórios autônomos da Groenlândia e das Ilhas Faroé enviam, cada um, dois deputados ao Parlamento dinamarquês, o que pode influenciar o equilíbrio de forças. Até o momento, são conhecidos apenas os resultados das Ilhas Faroé, onde os eleitores reelegeram seus representantes — um de cada bloco.
Em Nuuk, capital da Groenlândia, a campanha despertou mais interesse do que o habitual, com mais de 20 candidatos disputando duas vagas. "Acredito que esta eleição nos mostre, de certa forma, o rumo para o futuro", declarou o deputado local Juno Berthelsen, que liderou a lista do partido autonomista Naleraq, defensor de uma ruptura rápida com Copenhague.
"Não nos preocupamos com Trump. Olhamos para o panorama geral no que diz respeito ao histórico desejo do povo da Groenlândia pela independência", afirmou, antes de criticar aqueles que tentam espalhar medo.
A campanha concentrou-se principalmente em questões domésticas, como custo de vida, bem-estar social e meio ambiente. Diante da força da extrema direita desde o fim da década de 1990, o tema da imigração também voltou ao centro do debate, com os social-democratas defendendo um novo endurecimento das políticas para o setor.