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Cientistas pedem indulto póstumo para gênio condenado por ser gay

14 dez 2012 - 13h58
(atualizado às 14h08)
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Onze iminentes cientistas britânicos, entre eles Stephen Hawking, pediram nesta sexta-feira ao governo que indulte postumamente o matemático e criptógrafo Alan Turing, condenado há 60 anos por sua homossexualidade, que era delito na época.

Alan Turing, aos 16 anos, em foto de 1928
Alan Turing, aos 16 anos, em foto de 1928
Foto: AFP

Considerado o precursor da informática, Turing desempenhou um papel crucial para decodificar as mensagens nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Ele morreu em 1954, dois anos depois de ter sido condenado à castração química por "imoralidade", como consequência de um envenenamento com cianureto. Tinha 41 anos e sua morte foi considerada oficialmente um suicídio.

Em uma carta enviada ao jornal britânico Daily Telegraph, Hawking e outros cientistas, entre eles o presidente da prestigiosa Royal Society, Paul Nurse, descrevem Turing como "um dos matemáticos mais brilhantes da era moderna" e apelam ao primeiro-ministro para que perdoe o herói britânico. "Chegou a hora de limpar sua reputação", escreveram.

Turing estabeleceu as bases da computação moderna e decifrou os códigos da máquina Enigma dos alemães, o que, segundo os historiadores, encurtou a guerra e, portanto, salvou a vida de milhões de pessoas. Apesar disso, Turing foi durante sua vida um grande desconhecido para o grande público, já que seu trabalho foi mantido em segredo até 1974.

Em 2009, o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown, pediu desculpas póstumas ao criptógrafo. No entanto, apesar de a homossexualidade ter sido descriminalizada em 1967 no Reino Unido, ele nunca foi indultado.

Em fevereiro passado, quando se celebrou o centenário de nascimento de Turing, o governo de David Cameron negou indultá-lo, apesar de um pedido neste sentido com mais de 23 mil assinaturas. O ministério da Justiça indicou na ocasião que seria "inapropriado" indultar o "que foi devidamente condenado pelo que então era um delito".

O gabinete de David Cameron disse à AFP que está considerando sua resposta à carta dos cientistas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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