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Chegada de 46 afegãos e legado de Merkel inflamam debate migratório na Alemanha

Enquanto 46 afegãos desembarcam em Hannover, na Alemanha, após decisões judiciais que obrigaram o governo a cumprir compromissos de acolhimento de migrantes, o jornalista sírio Samer Tannous relembrou à RFI sua chegada ao país e analisou os desafios de integração que ainda dividem a sociedade alemã. O país enfrenta queda de novas solicitações de asilo e um avanço da extrema direita com sua agenda contra a imigração nesta que é a primeira economia do bloco europeu.

1 set 2025 - 12h48
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Enquanto 46 afegãos desembarcam em Hannover, na Alemanha, após decisões judiciais que obrigaram o governo a cumprir compromissos de acolhimento de migrantes, o jornalista sírio Samer Tannous relembrou à RFI sua chegada ao país e analisou os desafios de integração que ainda dividem a sociedade alemã. O país enfrenta queda de novas solicitações de asilo e um avanço da extrema direita com sua agenda contra a imigração nesta que é a primeira economia do bloco europeu.

Foto ilustrativa de um centro de acolhimento para migrantes na Alemanha.
Foto ilustrativa de um centro de acolhimento para migrantes na Alemanha.
Foto: REUTERS/Michaela Rehle / RFI

A chegada de 46 refugiados afegãos a Hannover nesta segunda-feira (1º) voltou a colocar a política migratória no centro da cena alemã. O grupo, formado por dez famílias que fugiram do regime talibã, aguardava havia cerca de três anos em condições precárias no Paquistão, de onde foram expulsos em massa nos últimos meses. Após uma série de decisões judiciais, o governo alemão foi obrigado a cumprir compromissos anteriores de acolhimento. Uma 47ª pessoa, que perdeu a conexão na Turquia, deve chegar até o final do dia.

Esta foi a primeira recepção oficial de refugiados sob a gestão do chanceler alemão Friedrich Merz, que assumiu o governo em maio com uma postura mais rígida em relação à imigração, pressionado pelo crescimento do partido de extrema direita AfD e por demandas para limitar programas de acolhimento de estrangeiros.

Segundo Eva Beyer, porta-voz da organização Kabul Luftbrücke, os recém-chegados fazem parte de uma lista prioritária que inclui ex-colaboradores das forças armadas e de instituições alemãs. Entre eles estão oito mulheres e dois homens que atuaram em áreas como política, justiça e jornalismo, além de uma médica que serviu no exército.

Declínio nas solicitações de asilo

Enquanto isso, números recentes evidenciam um declínio expressivo nas solicitações de asilo. Em 2024, foram registradas apenas 230 mil novas solicitações, uma queda de 30% em relação a 2023. No primeiro trimestre de 2025, esse número caiu para 36 mil (-45% em comparação com o mesmo período anterior), segundo dados oficiais. No conjunto da UE, houve recuo de 11% em 2024, com a Alemanha ainda liderando o total de pedidos — cerca de 237 mil — segundo informações de agências e ONGs internacionais.

Para muitos moradores e autoridades locais, o alívio é temporário: 68% da população se manifesta contra novas chegadas, especialmente por conta da sobrecarga de serviços urbanos, segundo dados da agência Reuters

Desafio de longo prazo

"A acolhida de refugiados é um desafio de longo prazo, não uma decisão isolada", afirmou à RFI Samer Tannous, jornalista sírio radicado na Alemanha desde 2010 e editorialista do Der Spiegel. Ele recorda que recebeu "muito apoio, acolhimento caloroso" ao chegar ao país, e que as manifestações de solidariedade foram semelhantes em 2015, quando quase 900 mil refugiados chegaram ao país sob a decisão histórica de Merkel de abrir as fronteiras. "A atmosfera era a mesma, havia um enorme impulso de acolhida."

Tannous ressaltou que o tema permanece como ponto central no debate político: "a integração não é simples. Sempre houve quem apoiasse e quem rejeitasse essa política, e essa divisão persiste." Ele atribui parte da tensão ao discurso de campanha da extrema direita: "Não acho que Merkel tenha sido a causa principal do crescimento da direita radical — isso reflete tensões históricas, não só uma decisão."

Com o novo governo, o discurso endureceu. O chanceler Merz chegou a afirmar que a Alemanha "não conseguiu" integrar plenamente os refugiados — avaliação que Tannous contesta: "Integração é um processo que leva tempo. Muitos refugiados já estão muito bem integrados, mas só se fala dos que enfrentam dificuldades."

Para ele, a cobertura midiática contribui para uma percepção distorcida. "Nada é perfeito. Os casos de sucesso passam despercebidos, enquanto os problemas ocupam as manchetes", avalia.

A chegada dos afegãos, resultado de uma disputa judicial, reforça a complexidade do tema. Ao mesmo tempo em que evidencia falhas e burocracias, mostra que a Alemanha ainda mantém compromissos humanitários — mesmo sob um cenário político marcado por polarização e ascensão da extrema direita.

Apesar da chegada desse grupo de migrantes, mais de 2.100 afegãos com promessa de acolhimento seguem retidos no Paquistão. Cerca de 85 deles já recorreram à Justiça para reivindicar o direito de serem recebidos na Alemanha com suas famílias.

(RFI com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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