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Berlim recria julgamentos de Nuremberg após 65 anos

19 out 2010 - 10h04
(atualizado às 12h05)
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O Tribunal Cameral de Berlim recriou recentemente o momento histórico em que foram iniciados os julgamentos de Nuremberg, com a exposição da folha de acusação instruída em 18 de outubro de 1945, preâmbulo do processo aberto um mês depois contra a cúpula do Terceiro Reich na cidade sede dos congressos nazistas.

A leitura do documento de acusação contra os nazistas no Tribunal de Nuremberg completou 65 anos na segunda
A leitura do documento de acusação contra os nazistas no Tribunal de Nuremberg completou 65 anos na segunda
Foto: AP

"Nesta sala de Berlim, a justiça nazista processou e condenou à morte uma centena de pessoas que conspiraram contra Hitler (Adolph) em 1944. Daqui partiu a acusação com a qual 24 responsáveis pelo nazismo foram processados, em Nuremberg", explicou à agência Efe Monika Nöhre, presidente do Tribunal.

A sala guarda lembranças de ambos os capítulos históricos: por um lado, abriga a placa que lembra os 100 membros da resistência executados após o atentado fracassado contra Hitler, em 14 de julho de 1944; por outro, o documento com a acusação contra os líderes nazistas, cuja leitura completou 65 anos na segunda-feira.

A placa em homenagem aos conspiradores - metade dos quais eram vinculados à aristocracia alemã, como Berthold Schenk Graf von Stauffenberg, irmão mais velho de Claus, o oficial nazista que liderou a ação - tinha desta vez um papel secundário, já que o centro das atenções era a folha. Usando luvas de plástico azul, Juliana Rangel, diretora do Arquivo do Tribunal Penal Internacional de Haia, segurava sob os flashes das câmeras o documento no aniversário da sessão, que foi presidida pelo general soviético Iona Nikitchenko.

Na ocasião, os quatro principais promotores leram a acusação contra os 24 réus, de Hermann Göring a Rudolf Hess, que eram denunciados por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, conspiração contra a paz mundial, entre outras acusações. Todos os processados se declararam inocentes.

"Foi uma sessão única, já que os aliados decidiram transferir o julgamento para Nuremberg, um cenário nazista bastante simbólico", explicou Stefan Franke, presidente do Tribunal da cidade, que entre 1933 e 1938 acolheu os congressos do partido nazista. As razões para a mudança foram tanto de ordem simbólica quanto prática, acrescentou Franke, lembrando que Berlim era uma cidade de administração complexa, sob tutela das quatro potências aliadas.

A histórica Sala 600 do Tribunal de Nuremberg, onde se realizaram as 218 vistas do processo contra a cúpula nazista, será aberta como "Memorial dos Julgamentos de Nuremberg" a partir de 21 de novembro, coincidindo com o 65º aniversário da abertura destes julgamentos. O local funcionará como memorial nos dias em que não houver audiências e contará com uma exposição permanente sobre o primeiro grande julgamento do Tribunal Militar aliado, cuja leitura das sentenças aconteceu no dia 1 de outubro de 1946.

Também serão documentados os 12 processos posteriores, que nessa mesma Sala 600 julgaram médicos, juristas, membros da SS, policiais, banqueiros, industriais, militares e altos funcionários como responsáveis diretos ou como cúmplices do nazismo, entre 1945 e 1949. Nesses casos, os encarregados dos julgamentos continuavam sendo tribunais aliados.

Os primeiros grandes julgamentos contra os crimes do nazismo abertos pela justiça alemã foram os chamados "Processos de Auschwitz", instruídos pelo promotor Fritz Bauer, entre 1963 e 1965.

EFE   
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