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Artista brasileiro expõe na Fundação de Paulo Coelho e Christina Oiticica na Suíça

O artista brasileiro Gabriel Wickbold está com uma exposição em Genebra, na Suíça, no espaço dedicado às artes da Fundação Paulo Coelho e Christina Oiticica. Em entrevista à RFI, ele falou sobre a mostra, o que representa estar na Suíça, e o que tem de Brasil no seu trabalho.

24 out 2026 - 10h59
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Resumo
O artista brasileiro Gabriel Wickbold apresenta na Suíça a mostra "Immersion and origin: act II", sediada na Fundação Paulo Coelho e Christina Oiticica. Em cartaz até 21 de novembro com entrada franca, a exposição celebra seus 20 anos de carreira e reúne obras sobre conexões humanas, tecnologia, identidade e raízes brasileiras. O destaque é uma instalação inédita criada em parceria com Oiticica, que reflete sobre o tempo, a memória e a fé como travessia da vida.

Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça

A construção da imagem pessoal, a relação com a natureza, as marcas do tempo e a influência das redes sociais são alguns dos temas presentes na mostra "Immersion and origin: act II" (Imersão e origem: ato II).

"É muito legal essa ideia de poder viajar com a obra", celebra o artista. "Eu estou falando no meu trabalho sobre conexões humanas e quando o meu trabalho também funciona de chave para ser essa conexão, eu fico muito feliz. Encontrar um público novo que nunca viu um trabalho é uma forma também de realimentar toda essa jornada", diz.

Para esta exposição, o artista apresenta uma instalação inédita em colaboração com a artista plástica Christina Oiticica. A obra explora a passagem do tempo, as marcas que deixa no corpo, na matéria e na experiência humana, numa reflexão sobre memória, permanência e impermanência.

"Vinte anos, duas pessoas separadas por esse espaço de tempo e, no centro, uma Nossa Senhora, que é uma porta, na verdade, um caminho de passagem por onde a fé nos ajuda a atravessar essa jornada da vida", explica o artista. 

Gabriel e Christina no espaço dedicado às artes da Fundação que leva o nome da artista e do escritor Paulo Coelho.
Gabriel e Christina no espaço dedicado às artes da Fundação que leva o nome da artista e do escritor Paulo Coelho.
Foto: RFI

Para Christina, "a instalação é um encontro muito bonito entre nossos trabalhos, acrescentando à obra uma dimensão de fé e proteção, em diálogo com o tempo, a memória e as nossas raízes brasileiras".

Ao ser questionado sobre a influência do Brasil em sua obra, Wickbold conta que, em 2006, fez uma jornada da nascente até a foz do rio São Francisco, que marcou seu início na fotografia. A série que produziu durante aquela viagem o ensinou muito sobre textura, mas também "sobre a relação do homem com a natureza e a relação dos mais velhos cuidando das crianças" nas casas que visitou. "Todo o meu trabalho desdobra dessa grande jornada pelo interior do Brasil", explica.

A influência das redes sociais nas nossas vidas

A relação com a tecnologia também está presente na exposição e ganha diferentes perspetivas ao longo da mostra. Gabriel conta que, em 2016, fez uma série usando linhas que sufocavam a cabeça dos seus modelos, "criando uma instalação imersiva onde a gente também se sente o tempo inteiro construindo essas máscaras para poder sobreviver nas redes sociais". Ele se refere à série "I Am Online", que examina a vida mediada pelas redes digitais e o paradoxo de ligações que aproximam, mas também podem limitar e aprisionar.

O artista conta que essa série vem sucedida de outra, que é o oposto. Em "I Am Light", de 2018, ele fala que o ser humano é luz. "Quando ele olha para dentro, enxerga que é essa explosão. Então, uso o glitter para falar sobre esse desenho da luz no ar".

Gabriel diz que seu trabalho "é uma grande busca de autoconhecimento" e que vem aprendendo com cada uma das séries que produz. "Durante esses últimos 20 anos, eu trabalhei em oito diferentes séries autorais, sempre reinventando a minha linguagem e a forma estética com que o trabalho se apresenta. Essa grande busca pela identidade é também a grande narrativa do meu trabalho. Entender quem somos no mundo e como que cada uma dessas forças invisíveis influenciam na criação dessas imagens que eu chamo de imagens impossíveis".

A origem do artista

Gabriel Wickbold vem de uma família conhecida no Brasil, de uma empresa do ramo alimentício, que fabrica pães, panetones e outros produtos a base de massas. Mas escolheu outro caminho, o da arte. 

"Eu acho que existe uma grande descoberta dentro do artista, que é essa voz original, essa vontade de uma mensagem para o mundo. E foi muito difícil, na verdade, encontrar esse espaço também dentro da minha família", admite. "Vencer essa luta e a história da própria natureza da família também foi um desdobramento. Descolar a marca do meu nome com uma marca que era conhecida por todos os brasileiros também foi uma vitória. E hoje, 20 anos depois, eu sinto que cada coisa está no seu lugar e seguimos felizes criando e podendo produzir arte para o mundo".

Segundo Gabriel, quem visitar a exposição vai encontrar uma coleção desses 20 anos de trabalho, algumas obras de cada uma das séries, a nova instalação com a Cristina e também os livros que compõem cada uma das fases do seu trabalho.

Interessados podem visitar a mostra, que tem curadoria de Marcelo Mendonça, até o dia 21 de novembro. A entrada é gratuita. O Espaço das Artes da Fundação Paulo Coelho e Christina Oiticica fica na Chemin du Velours 26, em Genebra, na Suíça.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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