Sob forte tensão e policiamento, França volta às ruas para novo ato contra alto custo de vida
O movimento dos "coletes amarelos", estudantes, e centrais sindicais convocaram a população a sair às ruas de todo o país neste sábado (24) contra o alto custo de vida. Os protestos ocorrem uma semana após os episódios de violências policiais, depredações e saques que ofuscaram as reivindicações e chocaram o mundo.
Sob forte tensão e esquema de segurança massivo com 70 mil agentes, a França registrou centenas de atos contra o alto custo de vida neste sábado. Em Paris, museus foram fechados, o toque de recolher foi mantido e as autoridades desviaram a rota da marcha para a periferia sul, medida acatada pelos sindicatos para evitar riscos. Manifestações foram proibidas em diversas cidades, enquanto em Lyon a polícia dispersou manifestantes com gás lacrimogêneo em áreas com restrições a aglomerações.
Mais de 700 atos estão sendo realizados em toda a França neste sábado, incluindo 500 manifestações. Em Paris, a Secretaria de Segurança Pública anunciou na noite de sexta-feira (23) a mudança do trajeto da passeata desta tarde.
A marcha, que deveria sair da Praça da Bastilha, no centro, em direção à Praça da Nação, no leste, foi transferida a periferia sul da capital, entre Porte d'Italie e Porte de Vincennes. Lideranças de esquerda acusam as autoridades de semear confusão, mas as centrais sindicais aceitaram a determinação.
"Decidimos seguir o trajeto imposto", explicou Karl Ghazi, co-secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) de Paris. "Assumimos nossas responsabilidades; não queremos expor os manifestantes a riscos", ressaltou, por sua vez, Badiaa Souidi, secretária-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT) na região de Île-de-France.
Vários museus parisienses, incluindo o Louvre e o Orsay, estão fechados. O toque de recolher noturno, imposto desde segunda-feira (19), será mantido nas áreas da Praça da República e na região de Halles, centro da capital, até a manhã do dia 26 de outubro.
70 mil membros das forças de segurança mobilizados
Em muitas cidades francesas, como Nancy, Metz, Besançon, Belfort, Rouen, Le Havre, Toulon e Limoges, os protestos foram proibidos neste sábado. Em Lyon, no centro-leste, a polícia dispersou com granadas de gás lacrimogênio uma manifestação nos arredores da universidade Lyon 3, perto de uma região onde aglomerações não eram autorizadas.
Alvo de fortes críticas pelas falhas na gestão dos distúrbios do último fim de semana, o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, anunciou um esquema de segurança "massivo" para este sábado. Cerca de 70 mil membros das forças de segurança - entre eles, militares e unidades de elite da polícia - foram mobilizados, além de helicópteros e veículos blindados.
RFI com agências
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