Apesar de condenação, Marine Le Pen confirma candidatura às eleições presidenciais da França em 2027
Marine Le Pen afirmou, na noite desta terça-feira (7), em entrevista ao vivo ao canal TF1, que será candidata à presidência da França em 2027. A deputada, líder do partido Reunião Nacional (RN), teve preservadas suas chances de disputar a eleição após a Justiça decidir, em julgamento de recurso, por uma pena de um ano e três meses de inelegibilidade no caso de desvio de fundos do Parlamento Europeu.
Antes do veredicto, Marine Le Pen havia declarado que só manteria sua candidatura caso não fosse obrigada a usar tornozeleira eletrônica. Segundo ela, seria impossível fazer campanha sob monitoramento eletrônico.
Na entrevista, ela afirmou que com a decisão da Justiça "os franceses terão a oportunidade de escolher". Ela voltou a se declarar inocente, disse discordar da decisão e informou que recorrerá à Corte de Cassação.
"A inelegibilidade indicaria um problema democrático, porque o povo francês tem o direito de escolher", afirmou.
Questionada sobre a acusação de desvio de fundos do Parlamento Europeu, Le Pen voltou a negar qualquer irregularidade e declarou que serão os franceses que "terão a última palavra. Eles serão os juízes".
A deputada sempre contestou as acusações de desvio de recursos, segundo a qual, funcionários pagos com verbas destinadas aos assessores dos eurodeputados trabalhavam, na verdade, para seu partido na França. Le Pen sustenta que não houve irregularidade e que o processo decorre de uma interpretação diferente sobre a divisão de tarefas entre a atividade partidária e a atividade parlamentar.
Durante anos, a investigação avançou paralelamente ao crescimento do Reunião Nacional. Enquanto o partido ampliava sua influência e se consolidava como uma das principais forças políticas do país, o caso permanecia em segundo plano, sem ameaçar diretamente as ambições presidenciais de sua principal líder.
Bardella como primeiro-ministro
A situação mudou em março de 2025. A condenação de Marine Le Pen transformou uma ameaça distante em um problema político concreto. Pela primeira vez, surgiu a possibilidade real de que o principal nome da extrema direita fosse impedida de disputar a eleição presidencial de 2027, e Jordan Bardella ganhou protagonismo.
O presidente do RN passou a ser visto não apenas como herdeiro político de Le Pen, mas também como uma alternativa para representar a legenda na disputa pelo Palácio do Eliseu.
Nesta terça-feira, Le Pen afirmou que, se vencer a eleição presidencial, Jordan Bardella será seu primeiro-ministro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.