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Tribunal de Apelação de Paris permite que Marine Le Pen concorra à eleição presidencial de 2027

A líder de extrema direita Marine Le Pen foi condenada nesta terça-feira (7) a três anos e nove meses de inelegibilidade, dos quais dois anos e meio com suspensão condicional da pena. Ela continua podendo, em tese, disputar a eleição presidencial francesa de 2027. No entanto, o Tribunal de Apelação de Paris também a condenou a um ano de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Antes do veredicto, Marine Le Pen havia afirmado que só manteria sua candidatura caso não fosse obrigada a usar tornozeleira eletrônica.

7 jul 2026 - 09h25
(atualizado às 12h07)
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Condenada em primeira instância a quatro anos de prisão, dos quais dois em regime domiciliar com monitoramento eletrônico, e a cinco anos de inelegibilidade, a líder da extrema direita poderá disputar a sucessão de Emmanuel Macron. No entanto, a deputada de 57 anos já afirmou considerar "impossível" fazer campanha usando tornozeleira eletrônica. Ela deverá anunciar sua decisão nas próximas horas.

A líder de extrema direita foi condenada no caso dos assistentes parlamentares europeus, que a acompanha desde os anos em que ela tentava transformar a Frente Nacional, partido fundado por seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 1972, em uma força política capaz de chegar ao poder.

A deputada sempre contestou as acusações de desvio de recursos. Segundo a acusação, funcionários pagos com verbas destinadas aos eurodeputados do partido trabalhavam, na realidade, para a legenda na França. Le Pen, por sua vez, sustenta que não houve irregularidade e que o processo decorre de uma interpretação diferente sobre a divisão de tarefas entre a atividade partidária e a atividade parlamentar.

Durante anos, a investigação avançou paralelamente ao crescimento do Reunião Nacional. Enquanto o partido ampliava sua influência e se consolidava como uma das principais forças políticas do país, o caso permanecia em segundo plano, sem ameaçar diretamente as ambições presidenciais de sua principal líder.

A situação mudou em março de 2025. A condenação de Marine Le Pen transformou uma ameaça distante em um problema político concreto. Pela primeira vez, surgiu a possibilidade real de que a favorita da extrema direita fosse impedida de disputar a eleição presidencial de 2027.

Mudança de estratégia

A decisão levou a líder do RN a mudar de estratégia. Acostumada a denunciar um suposto viés político da Justiça francesa, Le Pen adotou um tom mais cauteloso durante o julgamento em segunda instância. Sem abrir mão da defesa de sua inocência, procurou concentrar seus argumentos nos aspectos jurídicos do processo e evitar o confronto direto com os magistrados.

Ao mesmo tempo, o caso trouxe para o centro do debate a questão da sucessão dentro do próprio Reunião Nacional. Embora Marine Le Pen continue sendo a principal figura do partido, Jordan Bardella ganhou protagonismo nos últimos meses. O presidente do RN passou a ser visto não apenas como o herdeiro político da líder da extrema direita, mas também como uma alternativa para representar a legenda na disputa pelo Palácio do Eliseu.

Por isso, o alcance do veredicto vai muito além do destino de Marine Le Pen. A decisão é acompanhada de perto por toda a classe política francesa porque pode influenciar a corrida presidencial de 2027 e redefinir o equilíbrio de forças em um momento em que o Reunião Nacional aparece em posição favorável nas pesquisas de opinião.

Futuro incerto

A incerteza em torno do futuro político de Marine Le Pen coincide com o surgimento de novos problemas judiciais para Jordan Bardella. Apontado como sucessor natural da líder da extrema direita, o presidente do RN também é alvo de investigações relacionadas ao suposto uso indevido de recursos do Parlamento Europeu.

Um dos procedimentos apura a utilização de verbas da antiga bancada Identidade e Democracia (ID), que reunia partidos de extrema direita no Parlamento Europeu, enquanto outras denúncias envolvem suspeitas de financiamento irregular de atividades partidárias e de empregos parlamentares fictícios.

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