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Alemanha julga ex-militante de extrema esquerda que tinha ligações com brasileiros

Em um julgamento de grande repercussão na Alemanha, a ex-militante Daniela Klette apresentará nesta quarta-feira (13) suas considerações finais de defesa. Ela é acusada de assaltos e tentativa de homicídio em um dos últimos processos judiciais contra membros da organização Fração do Exército Vermelho, também conhecida como Grupo Baader-Meinhof, que atuou na Alemanha entre as décadas de 1970 e 1990. A acusada viveu por anos na clandestinidade e, durante sua vida secreta se escondendo da polícia, desenvolveu uma forte relação com o Brasil.

13 mai 2026 - 08h45
(atualizado às 08h48)
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Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf, Alemanha

Daniela Klette, ex-integrante do grupo de extrema esquerda alemão Fração do Exército Vermelho (RAF), faz um gesto de saudação ao entrar no Tribunal Regional de Verden, no norte da Alemanha, em 10 de março de 2026.
Daniela Klette, ex-integrante do grupo de extrema esquerda alemão Fração do Exército Vermelho (RAF), faz um gesto de saudação ao entrar no Tribunal Regional de Verden, no norte da Alemanha, em 10 de março de 2026.
Foto: AFP - FOCKE STRANGMANN / RFI

A apresentação da defesa ocorre na cidade de Verden, na região da Baixa Saxônia, e é a parte final de um julgamento que começou no ano passado. Daniela Klette tem 67 anos e foi presa em 2024 em Berlim, depois de passar 30 anos na clandestinidade, um período que tem detalhes dignos de um filme e que inclusive envolve o Brasil.

Klette está sendo julgada por uma série de roubos a supermercados e carros-fortes ocorridos entre 1999 e 2016. Ou seja, depois que o grupo Fração do Exército Vermelho foi extinto, em 1998. Ela teria continuado a cometer crimes comuns, sem motivação política, ao lado de outros dois ex-membros da organização. A promotoria está pedindo 15 anos de prisão por tentativa de homicídio e roubo à mão armada qualificado.

No início da defesa, na terça-feira (12), Klette alegou ser vítima de perseguição política, por causa do seu passado ligado ao grupo de extrema esquerda. Na chegada ao tribunal, ela foi aplaudida por cerca de 20 manifestantes, o que suscitou indignação das vítimas, como um segurança de um carro forte que foi supostamente atacado por Klette, em 2015.

Dinheiro e ouro no apartamento

Klette ainda tem apoiadores por causa da herança política e simbólica da antiga Fração do Exército Vermelho, conhecida como RAF, na sigla em alemão. A maioria da sociedade alemã vê o grupo como uma organização terrorista que cometeu dezenas de assassinatos, atentados e sequestros entre os anos 1970 e 1990.

Mas existe uma pequena parcela da esquerda radical que ainda considera alguns ex-membros como militantes políticos anticapitalistas. O que a acusação tenta mostrar agora é que os assaltos que teriam sido cometidos por Daniela Klette depois do fim da organização política tinham fins "capitalistas". No apartamento dela no bairro de Kreuzberg, em Berlim, foram encontrados € 240 mil em dinheiro e mais de 1kg de ouro. Ela viajava pelo mundo com identidade falsa, vivendo às custas do dinheiro que teria acumulado nos assaltos. 

Daniela Klette faz parte da chamada terceira geração da Fração do Exército Vermelho. Ela era ativa em grupos guerrilheiros de esquerda desde 1975 e entrou para a clandestinidade em 1989, quando o grupo cometeu um dos assassinatos de maior repercussão, o do CEO do Deutsche Bank, Alfred Herrhausen. 

Foto na capoeira

No apartamento de quarto e sala em Berlim onde ela foi presa, em 2024, a polícia também encontrou roupas usadas durante os assaltos, resíduos de pólvora, bigodes postiços, mapas, relatórios de locais de crime e artigos de jornal sobre os assaltos.

Quem identificou Daniela Klette foi um jornalista canadense, Michael Colborne, que usou uma ferramenta da inteligência artificial para cruzar as antigas imagens dela com fotos atuais da internet. Em 30 minutos, ele conseguiu achar a pessoa que a polícia alemã buscava há 30 anos. A foto da internet que entregou Daniela Klette estava publicada em uma rede social e a mostrava com um grupo de capoeira.

Codinome Cláudia

A ex-membro do grupo terrorista RAF frequentava a comunidade brasileira em Berlim e inclusive adotou um nome falso, Cláudia Ivone. Ela praticava capoeira, ia ao carnaval, e era muito próxima de um brasileiro, Emerson Gomes da Silva, com quem ela viveu por um período no início dos anos 2000.

Em uma entrevista ao canal de TV alemão WDR, Emerson disse: "Eu não conheço Daniela Klette, eu conheço a Cláudia. Ela era como uma irmã para mim". Ele afirma que só descobriu a verdadeira identidade de "Cláudia" depois de sua prisão.

Emerson contou que desconfiava de que tinha algo estranho na história dela, mas quando a questionava, "Cláudia" simplesmente respondia: 'Todo mundo tem um segredo". Emerson voltou a morar no Brasil e inclusive recebeu uma visita dela nos anos 2000, em uma das várias viagens pelo mundo de Daniela Klette, ou Cláudia Ivone, enquanto se escondia da polícia.

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