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EUA vão designar Comando Vermelho e PCC como "organizações terroristas", diz Rubio

28 mai 2026 - 19h04
(atualizado às 20h57)
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Os Estados Unidos planejam designar as facções criminosas ‌Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como "Organizações Terroristas Estrangeiras" a partir de 5 de junho, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta quinta-feira.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tentado evitar tais designações, temendo que elas possam abrir caminho para uma eventual ação militar dos EUA ou ⁠sanções contra bancos que, sem saber, fazem negócios com membros das facções.

Em uma reunião ‌com Trump esta semana em Washington, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência por indicação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que ‌pediu que os EUA rotulassem os grupos como ‌terroristas.

Assessores do senador, que também se reuniu com Rubio, destacaram a questão como ⁠uma forma de dar mais visibilidade às preocupações dos eleitores com a criminalidade na eleição presidencial de outubro, ao mesmo tempo em que enfatizam seu alinhamento com o governo Trump

Embora a designação de Organização Terrorista Estrangeira estivesse planejada para entrar em vigor em junho, o Departamento de Estado dos EUA designou as facções como "Terroristas ‌Globais Especialmente Designados" nesta quinta-feira, disse Rubio em um comunicado.

Rivais pelas rotas do tráfico ‌e pela influência nas prisões ⁠brasileiras, o PCC ⁠e o CV dominam o tráfico de drogas em grande parte do país e expandiram seus laços ⁠pela América Latina.

Rubio disse que as facções ‌são duas das "organizações criminosas mais ‌violentas do Brasil" e que sua influência e suas redes se estendem por toda a região e até os Estados Unidos.

"O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de ⁠segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos", disse Rubio.

Em vídeo no X, Flávio Bolsonaro agradeceu "ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio por atenderem rapidamente ao meu pedido em nome do povo ‌brasileiro".

Celso Amorim, o principal assessor de política externa de Lula, reagiu com cautela ao anúncio.  "Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e ⁠contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável", disse.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o Planalto não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Uma fonte palaciana, que pediu para não ser identificada, disse à Reuters que o governo brasileiro não vai reagir de imediato à decisão do governo norte-americano. Segundo essa fonte, a reação precisa ser analisada com calma para que o governo não termine sendo acusado de "defender bandidos".

Lula, que se prepara para uma viagem ao Nordeste na sexta-feira, foi informado da decisão norte-americana assim que divulgada - não houve comunicado prévio ao governo brasileiro - mas ainda não discutiu a resposta com seus auxiliares diretos.

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