EUA vão designar Comando Vermelho e PCC como "organizações terroristas", diz Rubio
Os Estados Unidos planejam designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como "Organizações Terroristas Estrangeiras" a partir de 5 de junho, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta quinta-feira.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tentado evitar tais designações, temendo que elas possam abrir caminho para uma eventual ação militar dos EUA ou sanções contra bancos que, sem saber, fazem negócios com membros das facções.
Em uma reunião com Trump esta semana em Washington, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência por indicação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que pediu que os EUA rotulassem os grupos como terroristas.
Assessores do senador, que também se reuniu com Rubio, destacaram a questão como uma forma de dar mais visibilidade às preocupações dos eleitores com a criminalidade na eleição presidencial de outubro, ao mesmo tempo em que enfatizam seu alinhamento com o governo Trump
Embora a designação de Organização Terrorista Estrangeira estivesse planejada para entrar em vigor em junho, o Departamento de Estado dos EUA designou as facções como "Terroristas Globais Especialmente Designados" nesta quinta-feira, disse Rubio em um comunicado.
Rivais pelas rotas do tráfico e pela influência nas prisões brasileiras, o PCC e o CV dominam o tráfico de drogas em grande parte do país e expandiram seus laços pela América Latina.
Rubio disse que as facções são duas das "organizações criminosas mais violentas do Brasil" e que sua influência e suas redes se estendem por toda a região e até os Estados Unidos.
"O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos", disse Rubio.
Em vídeo no X, Flávio Bolsonaro agradeceu "ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio por atenderem rapidamente ao meu pedido em nome do povo brasileiro".
Celso Amorim, o principal assessor de política externa de Lula, reagiu com cautela ao anúncio. "Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável", disse.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o Planalto não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
Uma fonte palaciana, que pediu para não ser identificada, disse à Reuters que o governo brasileiro não vai reagir de imediato à decisão do governo norte-americano. Segundo essa fonte, a reação precisa ser analisada com calma para que o governo não termine sendo acusado de "defender bandidos".
Lula, que se prepara para uma viagem ao Nordeste na sexta-feira, foi informado da decisão norte-americana assim que divulgada - não houve comunicado prévio ao governo brasileiro - mas ainda não discutiu a resposta com seus auxiliares diretos.
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