Itália prende suspeito de explorar indianos em obra de Consulado dos EUA
Investigação foi determinada pelo MP de Milão após denúncias
O Ministério Público de Milão, na Itália, determinou a prisão preventiva de um suspeito de integrar um suposto esquema de exploração trabalhista e extorsão relacionado às obras de restauração e construção do novo Consulado dos Estados Unidos na cidade, envolvendo a empresa americana Caddell Construction.
Ulas Demir, um dos gerentes da filial italiana da Caddell, foi detido no Aeroporto Orio al Serio, em Bergamo, após as autoridades identificarem "numerosas irregularidades" no canteiro de obras. Segundo os investigadores, ele foi preso momentos antes de embarcar para Istambul, na Turquia.
De acordo com a investigação, os trabalhadores eram empregados "em condições de exploração, aproveitando-se de seu estado de necessidade", em um cenário descrito pelas autoridades como de "quase escravidão".
Os funcionários indianos recrutados pela empresa Dynamic House, em Nova Délhi, recebiam menos de três euros (cerca de R$ 17) por hora. Após jornadas de 10 a 12 horas diárias, seis dias por semana, eles recebiam entre 1,2 mil e 1,5 mil euros mensais (aproximadamente R$ 7 mil a R$ 8,8 mil). Desse valor, porém, precisavam descontar mais de 900 euros (cerca de R$ 5,5 mil) para custear alimentação e alojamento.
Além disso, as autoridades indicaram que alguns trabalhadores chegaram a pagar uma altíssima propina em seu país natal aos "intermediários" que os "permitiram" trabalhar na Itália, mesmo sem saber o idioma e assinando documentos que não conseguiam ler. .
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