Partido Trabalhista de Malta vence eleições legislativas e garante 4º mandato inédito ao premiê
O partido do primeiro-ministro maltês Robert Abela ficou em primeiro lugar nas eleições legislativas deste domingo (31) em Malta. O resultado garante um histórico quarto mandato ao governo trabalhista, que havia convocado a votação antecipada em meio a incertezas geopolíticas.
Assim que a vitória foi anunciada, fogos de artifício foram lançados em toda a ilha mediterrânea, e militantes trabalhistas eufóricos, vestidos de vermelho, a cor do partido, gritavam "quatro vezes!". Os resultados, ainda preliminares, foram divulgados pelos responsáveis pelo centro de apuração de Naxxar.
"Hoje escrevemos uma página da história, juntos", declarou Robert Abela à multidão, falando da sacada do prédio que abriga a sede do partido. "Robert é nosso líder, aleluia!", responderam em coro os apoiadores presentes.
O primeiro-ministro trabalhista, de 48 anos, convocou as eleições com um ano de antecedência. Ele justificou a decisão afirmando que o governo precisava de um novo mandato para proteger Malta, um país fortemente dependente de importações, diante da crise no Oriente Médio.
Embora a economia maltesa tenha crescido 4% no ano passado, há receios de que o conflito impacte o turismo devido à alta dos custos do combustível para o transporte aéreo e pressione a inflação.
Robert Abela concentrou sua campanha no desempenho econômico de seu partido desde 2013, prometendo estabilidade em um período de incertezas.
"Eu voto nos trabalhistas desde que era muito pequena, estou encantada que eles tenham marcado a história", disse à AFP Margaret Camilleri, de 73 anos. Pelas ruas de Malta, apoiadores do premiê comemoravam a vitória desfilando em um caminhão que tocava em alto volume a música "We Are the Champions", da banda Queen.
Principal adversário
O principal adversário do chefe de governo foi o candidato do Partido Nacionalista, de linha conservadora, Alex Borg, de 30 anos. Advogado e ex-vencedor do concurso de beleza "Mr World Malta", ele incentivou os malteses a votarem pela mudança.
Borg reconheceu a derrota no domingo, destacando em uma mensagem publicada nas redes sociais que havia "telefonado pessoalmente a Robert Abela para parabenizá-lo".
Abela lidera Malta desde 2020, ano em que seu antecessor renunciou após uma crise política provocada pelo assassinato, em 2017, da jornalista Daphne Caruana Galizia, que havia exposto a corrupção nos mais altos níveis do Estado.
Segundo um relatório do Conselho da Europa de 2025, Malta ainda está bastante atrasada no combate à corrupção, tema que, no entanto, não esteve no centro da campanha.
Explosão demográfica
O desempenho econômico de Malta acabou ofuscando outras preocupações. Situado ao largo da Sicília, o país é o menor e mais densamente povoado da União Europeia, com cerca de 550 mil habitantes em 316 quilômetros quadrados.
A economia maltesa é dinâmica, baseada em grande parte no turismo, nos jogos online e nos serviços financeiros. A ilha apresenta uma das taxas de desemprego mais baixas da UE.
A taxa de natalidade também é baixa, mas a população aumentou quase 30% em uma década, principalmente devido à chegada de estrangeiros. Isso impulsionou um boom da construção, enchendo o horizonte de guindastes, causando congestionamentos e pressionando serviços essenciais.
Organizações de defesa do patrimônio denunciam a degradação do meio ambiente e os riscos para os locais classificados como Patrimônio Mundial da Unesco nesta antiga colônia britânica.
Malta possui poucos recursos naturais e importa grande parte de sua energia, o que a torna vulnerável a choques externos. O Partido Trabalhista subsidia fortemente a energia e prometeu continuar com essa política.
O país também está na linha de frente das mudanças climáticas e enfrenta ameaças de desertificação e secas, embora nenhum dos dois principais partidos tenha tratado essa questão como prioridade.
Com AFP
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