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EUA e Irã mantêm bombardeios que colocam em risco o abastecimento energético mundial

16 jul 2026 - 07h04
(atualizado às 07h33)
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Patrulha no Estreito de Ormuz.
Patrulha no Estreito de Ormuz.
Foto: RFI

Após mais de uma semana de bombardeios constantes, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nas últimas horas. Segundo o Exército dos EUA, as forças americanas concluíram "uma série de ataques noturnos contra o Irã", principalmente contra instalações militares na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país. O objetivo da ofensiva foi "reduzir a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros inocentes" no Estreito de Ormuz.

As forças americanas também atingiram "instalações de defesa costeira e posições de mísseis de cruzeiro na ilha de Greater Tunb", segundo o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom). Explosões também foram ouvidas no norte e no oeste do Irã, segundo a mídia estatal, e o sistema de defesa antiaérea foi acionado nesta quinta-feira (16) em Teerã.

Na quarta-feira, a cidade portuária de Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear do Irã, voltou a ser alvo de ataques americanos, assim como os arredores de Iranshahr, no sudeste do país. Sete militares iranianos morreram, segundo as Forças Armadas do Irã, que registraram 13 disparos de mísseis americanos.

Explosões também foram ouvidas em várias cidades, entre elas Bandar Abbas, Rask e Chabahar, além da ilha de Qeshm. Um hospital em Ahvaz, no sudoeste do país, também foi evacuado após ataques americanos na região. Os pacientes foram transferidos para outras unidades de saúde. Já o Exército iraniano anunciou nesta quinta ter atacado, com drones, bases e instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein.

Bahrein e Kuwait afirmaram ter interceptado ataques iranianos após os novos bombardeios dos EUA contra o Irã. "O Irã continua sua política hostil sistemática por meio de ataques criminosos contra civis", declarou o Exército do Bahrein em comunicado, afirmando ter "interceptado e destruído diversos ataques aéreos". Sirenes de alerta soaram durante a madrugada em Manama, capital do Bahrein, onde explosões também foram registradas, segundo uma jornalista da AFP.

O Estado-Maior do Kuwait declarou igualmente ter respondido a "ataques com drones" lançados pelo Irã. Segundo os militares, as explosões registradas foram resultado da interceptação dos aparelhos.

As forças iranianas afirmaram ter atingido "sistemas de radar, um sistema de defesa antiaérea Patriot e depósitos de combustível" na base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, além de instalações militares americanas na base aérea de Sheikh Isa, no Bahrein.

De acordo com o Estado-Maior iraniano, o país destruirá infraestruturas do Oriente Médio caso suas próprias instalações sejam atacadas, em resposta às ameaças de Donald Trump de atingir pontes e usinas elétricas iranianas.

"Toda a infraestrutura da região será destruída pelas Forças Armadas da República Islâmica do Irã, de tal forma que não restará qualquer vestígio, como se jamais tivesse existido", declarou o comando conjunto iraniano em comunicado.

Trump pressiona Irã

Donald Trump afirmou na terça-feira, em entrevista à Fox News, que atacará usinas elétricas e pontes no Irã na próxima semana, a menos que os iranianos "se sentem à mesa de negociações".

Teerã tem realizado ataques quase diários contra Kuwait e Bahrein desde a retomada dos combates com os Estados Unidos, em 7 de julho. As autoridades do Bahrein e do Kuwait acusam o Irã de também atacar instalações civis.

No domingo, o Kuwait afirmou que três postos de fronteira e uma plataforma petrolífera offshore foram atingidos. O conflito foi retomado após ataques a navios no Golfo atribuídos ao Irã. Os bombardeios que se seguiram representam a maior escalada militar no Oriente Médio desde o cessar-fogo de 8 de abril.

Os Guardiões da Revolução anunciaram nesta quinta ter atingido com mísseis balísticos uma base aérea americana na Jordânia. As forças americanas "utilizaram suas bases na Jordânia para atacar várias áreas do Irã, incluindo os arredores de um hospital para crianças com câncer", afirmaram os Guardiões da Revolução.

Mediação

O Paquistão pediu nesta quinta-feira que Estados Unidos e Irã encerrem os confrontos e retomem as negociações previstas no memorando de entendimento firmado em 17 de junho com mediação paquistanesa.

"Embora a implementação do memorando enfrente dificuldades, o Paquistão continuará incentivando todas as partes a pôr fim à violência e a retomar as discussões técnicas conforme previsto no acordo", declarou à imprensa Tahir Andrabi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país.

De acordo com o porta-voz, há esperança de um "rápido retorno à normalidade" no Estreito de Ormuz, e é importante garantir, de forma permanente, "a segurança e a liberdade da navegação marítima".

O Irã, que voltou a fechar o Estreito de Ormuz no último fim de semana, prometeu manter a via marítima bloqueada até o fim das "agressões" americanas. A retomada dos confrontos provocou forte alta nos preços internacionais do petróleo e alimentou temores de aumento da inflação global.

No Estreito de Ormuz, localizado entre as águas iranianas e omanenses e por onde transitava, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo, o tráfego marítimo diminuiu consideravelmente após ataques contra vários navios petroleiros. Segundo Tahir Andrabi, existe uma "necessidade urgente" de resolver uma situação que afeta "o abastecimento energético mundial", além do comércio e da segurança alimentar.

Com agências

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