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EUA dizem que China divulga narrativas "falsas" sobre 2ª Guerra Mundial para pressionar Taiwan

80º aniversário do fim da guerra tem sido marcado por uma amarga disputa entre Taipé e Pequim

15 set 2025 - 09h18
(atualizado às 10h30)
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Foto: Reprodução/White House

A China está intencionalmente descaracterizando os documentos da época da Segunda Guerra Mundial para pressionar e isolar Taiwan, já que esses acordos não determinaram o status político final da ilha, disse a embaixada dos Estados Unidos em Taipé.

O 80º aniversário do fim da guerra tem sido marcado por uma amarga disputa entre Taipé e Pequim sobre seu significado histórico mais amplo e sua relevância nos dias de hoje.

Pequim diz que documentos como a Declaração do Cairo e a Proclamação de Potsdam apoiam suas reivindicações legais de soberania sobre a ilha, pois pedem que Taiwan seja "restaurada" ao domínio chinês na época em que era uma colônia do Japão.

O governo chinês na época era a República da China, que fugiu em 1949 para Taiwan depois de perder uma guerra civil subsequente com os comunistas de Mao Zedong.

A República da China continua sendo o nome formal de Taiwan, e seu governo afirma que nenhum acordo da Segunda Guerra Mundial fez menção à República Popular da China de Mao porque ela não existia na época, de modo que Pequim não tem o direito de reivindicar Taiwan agora.

"A China intencionalmente descaracteriza documentos da época da Segunda Guerra Mundial, incluindo a Declaração do Cairo, a Proclamação de Potsdam e o Tratado de San Francisco, para tentar apoiar sua campanha coercitiva para subjugar Taiwan", disse o Instituto Americano em Taiwan em um comunicado na segunda-feira.

"As narrativas de Pequim são simplesmente falsas, e nenhum desses documentos determinou o status político final de Taiwan", acrescentou a embaixada de facto dos EUA na declaração enviada por email à Reuters.

O Japão assinou o Tratado de Paz de San Francisco em 1951, renunciando às suas reivindicações sobre Taiwan, embora a soberania da ilha não tenha sido resolvida nesse pacto. Pequim afirma que o tratado é "ilegal e inválido", uma vez que não faz parte dele.

O Ministério das Relações Exteriores da China expressou "forte insatisfação" com os comentários de segunda-feira, dizendo que eles são enganosos.

"Uma série de documentos com efeito legal, como a Declaração do Cairo e o documento de rendição japonês, confirmam claramente a soberania da China sobre Taiwan e o status de Taiwan", afirmou o porta-voz do ministério Lin Jian em Pequim.

Os EUA encerraram seus laços oficiais com Taipé em 1979, quando reconheceram Pequim, mas continuam sendo o mais importante apoiador internacional da ilha.

Washington segue uma "política de uma só China", pela qual não assume oficialmente nenhuma posição sobre a soberania de Taiwan e apenas reconhece a posição da China sobre o assunto.

"As falsas narrativas legais fazem parte da campanha mais ampla de Pequim para tentar isolar Taiwan da comunidade internacional e restringir as escolhas soberanas de outros países em relação às suas interações com Taiwan", acrescentou o Instituto Americano em Taiwan.

O ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Lin Chia-lung, agradeceu a declaração da missão dos EUA.

"Nosso país e a República Popular da China não são subordinados um ao outro, e a República Popular da China não tem o direito de representar Taiwan na comunidade internacional", disse Lin em um comunicado.

Em 3 de setembro, o presidente chinês, Xi Jinping, supervisionou um grande desfile militar em Pequim para marcar o aniversário da guerra.

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