Irã analisa proposta de gestão compartilhada do Estreito de Ormuz apresentada por Omã
Omã apresentou ao Irã uma proposta para criar um mecanismo regional conjunto de gestão do estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A informação foi divulgada nesta terça-feira (28) por uma fonte do Golfo à agência Reuters.
Segundo a proposta, o Irã deixaria de exercer controle exclusivo sobre a passagem marítima, que seria administrada de forma coletiva pelos países da região. O projeto prevê ainda um sistema de financiamento por contribuições voluntárias pagas por empresas que utilizam a rota.
A iniciativa seria inspirada no modelo adotado no Estreito de Malaca, entre Indonésia e Malásia, em que companhias marítimas contribuem voluntariamente para financiar a navegação, a proteção ambiental e operações de busca e salvamento.
A proposta surge em um momento de redução das tensões entre Teerã e Washington. Após quase duas semanas de ataques contínuos, os Estados Unidos interromperam na sexta-feira (24) seus bombardeios contra o Irã, enquanto o governo iraniano deixou de retaliar aliados americanos na região, alimentando esperanças de uma solução diplomática.
Apesar disso, o Irã declarou na segunda-feira (27) que continua controlando o Estreito de Ormuz e que não pretende retomar, neste momento, as negociações com os Estados Unidos.
Em contrapartida, o presidente americano Donald Trump afirmou na segunda-feira que mantém "boas conversas" com Teerã e voltou a dizer que um acordo é possível, embora tenha reiterado ameaças de novos bombardeios caso as negociações fracassem.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, informou que discutiu o futuro do Estreito de Ormuz com seus colegas de Omã e da Arábia Saudita. Segundo a diplomacia iraniana, Araqchi defendeu o fortalecimento da cooperação regional e dos esforços diplomáticos para garantir a estabilidade da região e reduzir a insegurança no estreito, atribuída por Teerã às ações dos Estados Unidos.
Irã é acusado de ataques contra rebeldes curdos no Iraque
Pelo menos 14 ataques com drones atingiram, desde segunda-feira, grupos rebeldes curdos iranianos instalados na região autônoma do Curdistão iraquiano. A informação foi divulgada nesta terça-feira por representantes das organizações afetadas, que atribuem as ações ao Irã.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, o Curdistão iraquiano, que abriga tropas americanas, empresas petrolíferas estrangeiras e grupos curdos iranianos exilados considerados terroristas por Teerã, tem sido alvo frequente de ataques atribuídos ao Irã e a milícias iraquianas pró-Irã.
As últimas investidas ocorreram antes do amanhecer desta terça-feira. Embora não tenham sido oficialmente reivindicados, os ataques provocaram danos materiais e incêndios, sem registro de vítimas.
Desde o início da escalada regional, a maioria dos grupos de oposição curdos iranianos transferiu ou evacuou suas bases e acampamentos no norte do Iraque. No episódio mais letal recente, nove integrantes do Komala morreram em 17 de julho em um ataque próximo à cidade de Suleimânia.
Com AFP
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