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Estudo descobre relação entre terremotos e CO2 na Itália

Gás no aquífero que corta Apeninos tem papel fundamental em sism

27 ago 2020 - 12h31
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Um estudo inédito conduzido pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) conseguiu mostrar uma relação entre os terremotos que destruíram diversas cidades na região central da Itália nos últimos anos e a presença de dióxido de carbono (CO2) no aquífero que corta a cordilheira dos Apeninos.

    As pesquisas foram lideradas pelo INGV em parceria com a Universidade de Perugia e os resultados foram publicados na revista "Science Advances" nesta quarta-feira (26).

    O coordenador do estudo e pesquisador do INGV, Giovanni Chiodini, explicou que ficou comprovado que há uma "correspondência entre a emissão profunda do CO2 e da atividade sísmica e que, em períodos de elevada sismicidade, são registrados picos no fluxo de dióxido de carbono também profundos, que diminuem gradualmente à medida que a energia sísmica e o número de terremotos diminuem".

    "No que tange a relação temporal entre a verificação de um evento sísmico e a soltura do CO2, ainda precisamos de aprofundamento. Neste estudo, nós temos a hipótese que a evolução da atividade sísmica na zona apenina seja modulada pela subida do gás que deriva da fusão de porções da placa que estão imersas no manto", acrescentou Chiodini.

    A fala foi confirmada por outro pesquisador, da Universidade de Perugia, Carlo Cardellini, que ressaltou que "dos dados emerge uma correlação entre os dois fenômenos, mas não sabemos ainda se o gás carbônico é um sinal que pode anunciar um terremoto. Para descobrir isso, vamos continuar tentando monitorar".

    Para chegar às conclusões, os especialistas analisaram dados geoquímicos e geofísicos entre 2008 e 2018, incluindo os períodos relativos aos grandes terremotos registrados em Amatrice e Norcia.

    "A estreita relação entre a liberação do CO2 e a magnitude dos terremotos, juntamente com os resultados precedentes de investigações sismológicas anteriores, indicam que os terremotos nos Apeninos registrados na década analisada estão associados ao aumento profundo do CO2. É interessante notar ainda que as quantidades de gás carbônico envolvidas são da mesma ordem daquelas que são liberadas durante as erupções vulcânicas", acrescentou Chiodini. .

Ansa - Brasil
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