Obama aposta em acordo nuclear com Irã e pede transparência
O presidente de EUA, Barack Obama, apostou pela via diplomática para conseguir um acordo sobre o programa nuclear do Irã, mas pediu nesta terça-feira que esse país dê passos "transparentes e verificáveis".
Obama, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, ressaltou como positivas as declarações emitidas pelo Irã na última semana de que não construirá armas nucleares e que elas "devem oferecer a base para um acordo significativo".
O presidente americano lembrou uma recente fatwa (pronunciamento) do líder espiritual iraniano e uma declaração do presidente, Hassan Rohani, em que ambos se manifestaram contra o Irã se dotar de armas atômicas.
A declaração daria segurança para que se estabeleça uma resolução que dê o direito ao Irã à energia nuclear com fins pacíficos, mas sem obter armas atômicas, disse o líder americano. Para isso, pediu que o Irã assine o Tratado de Não- Proliferação Nuclear e que "empreenda ações transparentes e verificáveis".
Segundo Obama, os Estados Unidos não procuram mudar o regime do Irã, porque respeitam "o direito do povo iraniano a ter um acesso pacífico à energia nuclear". Obama pediu ao governo "ações transparentes e verificáveis" sobre seu programa atômico.
O presidente americano pediu ao secretário de Estado de EUA, John Kerry, que dê andamento a este caminho em cooperação com União Europeia, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha (o grupo 5+1).
"Acredito firmemente que é preciso tentar a via diplomática", afirmou o presidente dos Estados Unidos.
O grupo dos 5+1 realizará uma reunião com o ministro iraniano das Relações Exteriores na próxima quinta-feira na ONU, o encontro mais importante entre os responsáveis dos EUA e do Irã desde 1979.
O presidente americano mencionou a data ao lembrar que o Irã e os EUA viveram isolados desde a revolução islâmica de 1979 e padecem de "uma desconfiança mútua que tem raízes profundas".
No entanto, Obama reconheceu não crer que estas diferenças "possam ser solucionadas da noite para o dia, mas se pudermos resolver o programa nuclear iraniano, pode servir para melhorar nossa relação e colocá-la em um nível de interesse e respeito mútuo".
Durante a última semana se especulou entre uma possível reunião de Obama com Rohani, que teria um significado histórico, e a Casa Branca se limitou a dizer que não está programada, mas sem descartá-la de forma taxativa.
Rohani se reúne hoje com o presidente francês, François Hollande.