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Espanha ordena investigação após grupo de direitos alegar que soldados cometeram abusos contra imigrantes em Ceuta

30 set 2026 - 12h23
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Resumo
O Ministério da Defesa da Espanha abriu uma investigação interna e acionou a promotoria após a Anistia Internacional denunciar abusos cometidos por militares contra imigrantes no enclave de Ceuta. A organização documentou ao menos 22 casos de tortura, espancamentos e humilhações, inclusive contra mulheres e crianças, após a entrada em massa de milhares de pessoas vindas do Marrocos. Imagens e vídeos reforçam as denúncias de uso excessivo da força e agressões cometidas por soldados espanhóis.

O Ministério da ‌Defesa da Espanha informou nesta quarta-feira que havia alertado a promotoria sobre um relatório da Anistia Internacional que alega que militares torturaram ou maltrataram imigrantes em Ceuta, e ordenou ⁠uma investigação interna para apurar se algum ‌militar é culpado.

A organização de direitos humanos acusou membros das Forças Armadas da Espanha ‌de tortura e outros ‌tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes contra ⁠imigrantes retidos no enclave norte-africano, depois que mais de 72 mil cruzaram a fronteira vindo do Marrocos no final de julho.

Embora a maioria dos imigrantes tenha voltado posteriormente, pelo ‌menos 10 mil permanecem no minúsculo enclave espanhol ‌no Norte da ⁠África, ⁠sobrecarregando os recursos locais e alimentando tensões.

O diretor da ⁠Anistia Internacional Espanha, ‌Esteban Beltrán, disse ‌à Reuters que a organização havia documentado 22 casos de tortura e abuso por parte de militares. No que ele descreveu ⁠como um padrão recorrente, as tropas perseguiram, espancaram e humilharam imigrantes, incluindo mulheres e crianças desacompanhadas, em operações noturnas.

A Anistia afirmou que as ‌fotografias e vídeos analisados eram consistentes com as alegações de uso excessivo da força, incluindo ⁠imagens de militares encapuzados agredindo imigrantes e borrifando seus rostos com substâncias irritantes antes de empurrá-los para o outro lado da fronteira.

"Tendo em vista o relatório divulgado pela Anistia Internacional, foi decidido encaminhá-lo à promotoria e ao tribunal de plantão em Ceuta, além de instruir o Comando de Operações a investigar e esclarecer quaisquer possíveis responsabilidades individuais", afirmou o Ministério da Defesa.

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