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"Escalada perigosa": líderes mundiais reagem aos ataques de EUA e Israel contra o Irã

Os ataques lançados no sábado (28) por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã provocaram fortes reações da comunidade internacional. A ofensiva aérea, apresentada como "preventiva", deve durar "vários dias".

28 fev 2026 - 10h33
(atualizado às 11h00)
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Segundo o exército israelense e a agência iraniana Tasnim, o Irã respondeu lançando várias salvas de mísseis e drones contra Israel. Até o momento, não foram relatados danos significativos.

Esta imagem, retirada de uma transmissão da televisão estatal iraniana em 28 de fevereiro de 2026, mostra uma escola primária feminina em Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irã, que foi atingida por ataques aéreos.
Esta imagem, retirada de uma transmissão da televisão estatal iraniana em 28 de fevereiro de 2026, mostra uma escola primária feminina em Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irã, que foi atingida por ataques aéreos.
Foto: © AFP/Alex Mita / RFI

Explosões também foram ouvidas no céu de Doha e Abu Dhabi, mas autoridades do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos e do Kuwait — países que abrigam bases militares americanas — afirmaram ter interceptado todos os mísseis que tinham como alvo seus territórios.

Um míssil, no entanto, parece ter atingido o quartel-general da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein, de acordo com um vídeo divulgado nas redes sociais e relatos de testemunhas.

Diante da escalada militar, líderes e governos ao redor do mundo expressaram preocupação e pediram contenção.

Em nota, o governo brasileiro disse que "condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã", lembrando que "os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região."

Brasília também fez um apelo "a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil."

Ainda de acordo com o texto, as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. "Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem", salienta. 

"Graves consequências para a paz"

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã traz "graves consequências para a paz e a segurança internacional". Em mensagem publicada na rede X, ele advertiu que a escalada é "perigosa para todos" e deve cessar, defendendo que o regime iraniano abra negociações "de boa-fé" para encerrar seu programa nuclear e balístico. Macron também pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Rússia condenou duramente a ofensiva. O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, classificou a operação como um "ataque não provocado contra o Irã" após conversar por telefone com o chanceler iraniano, Abbas Araqchi. Moscou também pediu um retorno à via política e diplomática.

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, criticou duramente Washington. Em tom irônico, afirmou que o "suposto artesão da paz se mostrou mais uma vez", acrescentando que as negociações com o Irã eram apenas "uma fachada".

O chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez, rejeitou a "ação militar unilateral" de Estados Unidos e Israel, afirmando que ela contribui para tornar a ordem internacional "mais incerta e hostil". Ao mesmo tempo, criticou o regime iraniano e a Guarda Revolucionária Islâmica, advertindo que o mundo não pode permitir "uma nova guerra prolongada e devastadora no Oriente Médio".

Na União Europeia, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, descreveu a situação como "desenvolvimentos perigosos". Segundo ela, Bruxelas está coordenando esforços com parceiros árabes para explorar soluções diplomáticas e facilitar a saída de cidadãos europeus da região. Parte do pessoal não essencial da UE já começou a ser retirada.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou que os acontecimentos atuais têm origem na "violência e impunidade do regime iraniano", citando a repressão contra manifestantes pacíficos nos últimos meses.

Líbano não quer ser arrastado para guerra

No Líbano, o primeiro-ministro Nawaf Salam declarou que não aceitará que "ninguém arraste o país para aventuras que ameacem sua segurança e unidade", em uma referência indireta ao Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã. Ele pediu que os libaneses ajam com "sabedoria e patriotismo", colocando os interesses nacionais acima de qualquer outra consideração.

O ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, afirmou que a operação descrita por Israel como "preventiva" contraria o direito internacional. Segundo ele, esse tipo de ataque só pode ser justificado diante de uma ameaça iminente e imediata.

Por sua vez, o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, afirmou que Varsóvia estava informada da ação militar por meio de canais com seus aliados e parceiros de coalizão.

As reações evidenciam a preocupação crescente com o risco de uma escalada regional mais ampla no Oriente Médio, enquanto a comunidade internacional pede contenção e retorno à diplomacia.

Dezenas de mortos

Pelo menos 51 pessoas morreram no sábado em um ataque aéreo contra uma escola feminina no sul do Irã, informou a televisão estatal, citando uma autoridade local que divulgou um novo balanço de mortos após ataques aéreos lançados contra Teerã por Israel e pelos Estados Unidos.

"Durante o ataque com mísseis israelenses nesta manhã (sábado) contra uma escola primária feminina no condado de Minab, 51 estudantes morreram e 60 ficaram feridas", afirmou o governador do condado.

Mais de 20 das 31 províncias do país foram "afetadas pelos ataques", segundo o Crescente Vermelho.

Explosões foram relatadas em diversas cidades do Golfo, incluindo aquelas que abrigam bases militares americanas, e vários países da região fecharam seu espaço aéreo, o que levou a uma série de cancelamentos de voos para o Oriente Médio.

Pelo menos uma pessoa morreu na capital dos Emirados Árabes Unidos após ser atingida por destroços de mísseis, segundo o Ministério da Defesa.

Os Estados Unidos já haviam aconselhado seus diplomatas e cidadãos no Golfo a "buscarem abrigo".

No Iraque, um bombardeio contra a base militar de Jurf al-Sakher, no sul do país, sede de um grupo pró-Irã, matou pelo menos dois combatentes e feriu outros cinco, de acordo com fontes próximas ao grupo armado Kataeb Hezbollah.

No sul da Síria, um ataque com mísseis iranianos matou quatro pessoas, segundo autoridades em Damasco.

Com RFI e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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