Erdogan diz ser necessário mecanismo para garantir segurança no Mar Negro antes que crise dos grãos se agrave
O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, defendeu a criação de um mecanismo permanente de segurança para o transporte comercial no Mar Negro, visando conter o agravamento da crise global de grãos, que afeta principalmente a África. Ancara elaborou uma proposta e mantém diálogo com Ucrânia e Rússia, tendo o tema sido debatido com Vladimir Putin. Contudo, Moscou, que abandonou a iniciativa original em 2023 alegando entraves às suas exportações, declarou não ver motivos para retomar o acordo.
O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, afirmou nesta quarta-feira que é necessário um mecanismo para garantir permanentemente a segurança do transporte marítimo comercial no Mar Negro, antes que a crise dos grãos se agrave.
No início desta semana, o ministro das Relações Exteriores, Hakan Fidan, disse que a Turquia havia elaborado um plano para a passagem segura de grãos pelo Mar Negro e que estava em contato tanto com a Rússia quanto com a Ucrânia a esse respeito.
Erdogan e o presidente russo, Vladimir Putin, mantiveram conversações na terça-feira em Bishkek, à margem da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, e o assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou que Putin discutiu a situação no Mar Negro com Erdogan.
Em declarações aos jornalistas durante o voo de volta da viagem ao Quirguistão, Erdogan disse que uma crise de grãos havia ressurgido, especialmente na África, e que era preciso tomar medidas antes que o problema se agravasse ainda mais, de acordo com uma transcrição divulgada por seu gabinete na quarta-feira.
"A segurança de todo o transporte marítimo civil no Mar Negro é importante para nós. Os confrontos entre as partes não devem se intensificar a ponto de comprometer a segurança dos civis e a vida comercial", declarou Erdogan.
"Precisamos resolver essa questão", acrescentou ele.
Em julho de 2022, a Turquia e as Nações Unidas ajudaram a mediar a chamada Iniciativa dos Grãos do Mar Negro para permitir a exportação segura de quase 33 milhões de toneladas de grãos ucranianos pelo Mar Negro, apesar da guerra.
No entanto, a Rússia se retirou do acordo em 2023, alegando que suas próprias exportações de alimentos e fertilizantes enfrentavam sérios obstáculos.
Em comentários sobre os esforços recentes para chegar a um acordo, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, afirmou na quarta-feira que Moscou não vê motivos para que o acordo sobre grãos do Mar Negro seja retomado.
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