Entenda os fatores envolvidos na independência do Sudão do Sul
8 jul2011 - 21h45
(atualizado às 22h01)
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O Sudão do Sul é o mais novo país do mundo, após ter oficializado sua independência em relação ao Sudão.A separação foi definida em um referendo realizado em janeiro, quando 99% dos votantes apoiaram a divisão do país, marcado por conflitos sectários.
Segundo o enviado da BBC a Juba Will Ross, às vésperas do nascimento do país as rádios tocaram sem parar o hino nacional sul-sudanês, composto por estudantes locais
Por que a maioria dos cidadãos do sul quer um país independente? Assim como no restante da África, as fronteiras do Sudão foram desenhadas por potências coloniais pouco preocupadas com as realidades étnicas e culturais da região.
Enquanto o Sudão do Sul tem uma paisagem repleta de selvas e pântanos, o norte é mais desértico. A maioria da população do norte é muçulmana e fala árabe; o sul é composto de vários grupos étnicos, de maioria cristã ou animista.
Com o governo centralizado no norte, em Cartum, a população no sul se dizia discriminada e rejeitava tentativas de imposição da lei islâmica no país. Os dois lados lutaram entre si durante a maior parte de sua história.
O que acontece após a independência? Agora é que começa o trabalho duro. Norte e sul ainda têm de chegar a um acordo em relação a temas como:
- Traçado da nova fronteira e como ela será controlada
- Como dividir a dívida do Sudão e os royalties do petróleo do novo país
- Que moeda será adotada pelo novo país
- Que direitos os sulistas terão no norte, e vice-versa
O Sudão do Sul está pronto para a independência? A verdade nua e crua é: não. Após viver anos em guerra e desdenhado pelo governo central, o novo país - que é maior do que Espanha e Portugal juntos - quase não tem estradas; também faltam escolas e serviços de saúde para a população de cerca de 8 milhões.
Apesar de seu potencial para a agricultura, 95% das receitas do novo país vêm do petróleo. "A vida no Sudão do Sul provavelmente será precária nos anos futuros", disse à BBC o analista especializado em Sudão Douglas Johnson.
Os ex-rebeldes do grupo SPLM, que têm controlado a região desde 2005, ganharam alguma experiência em governabilidade e lucram com os poços de petróleo do sul sudanês. Também elaboraram planos ambiciosos para desenvolver suas cidades e realizaram um concurso para a composição do hino nacional.
Mas críticos dizem que, até agora, o grupo desperdiçou muito desse lucro em gastos militares, e pouco em medidas que aumentem o padrão de vida em uma das regiões mais pobres do mundo. Também há acusações de corrupção, autocracia e favorecimento tribal.
Alguns dizem que o SPLM é dominado por membros do maior grupo étnico do Sudão do Sul, os dinkas, acusados de ignorar as demandas de outras comunidades - em especial da segunda maior etnia da região, os nuer.
Um observador da situação sudanesa disse à BBC, em condição de anonimato, que "não me surpreenderia se o Sudão do Sul se tornasse uma nova Eritreia".
Em 1993, os eritreus votaram maciçamente em favor da independência da Etiópia. Atualmente, a Eritreia é considerada uma das nações mais opressivas do continente.
Como Cartum vê a independência do sul? Nesta sexta-feira, o governo do presidente sudanês, Omar al-Bashir, reconheceu formalmente a independência da parte sul de seu país.
Mas, desde o referendo de janeiro, regiões na fronteira entre sul e norte, como Abyei e Kordofan do Sul, têm vivido uma onda de confrontos, levantando temores de uma nova guerra. Os dois lados assinaram diversos acordos de paz, mas as tensões permanecem.
O SPLM acusa o governo sudanês de financiar rebeliões, para desestabilizar o Sudão do Sul, mas Cartum nega as acusações. Ainda que o novo país esteja tentando forjar laços com países como Uganda e Quênia, manter boas relações com o vizinho do norte será crucial.
O que acontecerá com o norte? A prioridade para Cartum, agora, é tentar manter para si o máximo de lucros originados da produção de petróleo do país. Ao mesmo tempo em que a maioria dos poços fica no Sudão do Sul, o norte tem a maioria dos oleodutos que escoam o combustível para o mar Vermelho.
A fronteira entre o sul e o norte, rica em petróleo, ainda não foi demarcada, então existe a possibilidade de que ocorram disputas pelo controle dos poços.
No que diz respeito à vida dos cidadãos comuns, ambos os lados concordaram em permitir que todos os sudaneses - em especial os sulistas radicados em Cartum - escolham qual nacionalidade terão.
Mas os planos de Bashir de implementar uma rígida versão da sharia (a lei islâmica) no norte do país pode afugentar os sulistas da região.
O professor Abdullah al-Sadeq explica aos jornalistas o mapa do Sudão, separado do território do Sudão do Sul
Foto: AFP
Um jornalista sudanês olha para um livreto com as novas informações sobre o Sudão do Sul durante uma conferência de imprensa em Khartoum
Foto: AFP
O ministro da Informação sudanês, Kamal Mohammed Obeid, revela aos jornalistas o novo mapa do Sudão. A independência formal do Sudão do Sul será em 9 de julho
Foto: AFP
Imagem da futura capital de Sudão do Sul apenas cinco dias antes do país declarar oficialmente sua independência. Depois de décadas de guerra, o novo país tem pouca infraestrutura e a maioria das pessoas depende de água bombeada de rios e poços
Foto: AFP
Um comerciante de rua em Juba, capital do Sudão do Sul. Esta cidade foi deixada em ruínas após décadas de conflito, o que levou seu povo a votação esmagadora de se separar do norte
Foto: AFP
Um comerciante vende varas no tradicional mercado de Juba. Em apenas cinco dias, o Sudão do Sul vai declarar oficialmente sua independência
Foto: AFP
Homens andam de moto-táxis na capital de Sudão do Sul, em Juba. A mais nova capital do mundo é uma cidade danificada pela guerra, com estradas irregulares espalhadas ao longo das margens do Rio Nilo
Foto: AFP
Foto: Terra
Segurando rifles AK-47, soldados do Sudão do Sul participam de cerimônia na capital Juba, às vésperas da independência do país, marcada para o próximo sábado, dia 9 de julho
Foto: Reuters
Polícia Militar do Exército do Sudão marcha durante ensaio de desfile militar em Juba. Dentro de quatro dias, o Sudão do Sul vai declarar oficialmente sua independência após 21 anos de guerra
Foto: EFE
Pessoas acenam com bandeiras do Sudão do Sul em um comício organizado pelo Movimento Popular de Libertação do Sudão em Juba
Foto: EFE
Homens em trajes típicos durante ensaio de desfile militar em Juba, Sudão do Sul, nesta terça-feira. Dentro de quatro dias, este país vai declarar oficialmente a independência do Sudão
Foto: EFE
Pessoas dançam e comemoram a oficialização da independência do Sudão do Sul, que acontecerá em quatro dias
Foto: EFE
Foto: Terra
Foto: Terra
O ministro das Relações Exteriores do Sudão, Ali Ahmad Karti (dir.) se reúne com o enviado russo à África, Mikhail Margelov, em Cartum, um dia antes do Sudão do Sul se separar do norte e tornar-se a mais jovem nação do mundo
Foto: AFP
Mulheres realizam um desfile cultural em Juba, a capital do país que ficará independente no sábado
Foto: AFP
Soldados do Sudão do Sul prestam atenção durante a execução do hino nacional, em ensaio das festividades da independência do país, em Juba
Foto: AP
Mulheres posam para uma fotografia durante um ensaio para as comemorações da independência, em Juba
Foto: AP
Soldados do Sudão do Sul garantem a segurança durante os preparativos para a independência do país. O governo organiza a comemoração da independência que ocorre no sábado, dia 9 de julho
Foto: AP
Os membros das forças de segurança do Sudão do Sul se preparam para desfile das comemorações da independência. Na capital do novo país as ruas estão sendo enfeitadas e as armas do mercado negro estão sendo confiscadas para que tudo ocorra bem na festa de sábado
Foto: Reuters
Um homem segura a nova bandeira do Sudão do Sul e ensaia uma coreografia, a ser apresentada no intervalo da partida de futebol entre as equipes do Sudão do Sul e do Quênia, como parte das celebrações do Dia da Independência, em Juba
Foto: Reuters
Foto: Terra
Com a bandeira do novo país, cidadão do Sudão do Sul comemora a independência nas ruas de Juba
Foto: Reuters
Felizes com a independência, cidadãos do Sudão do Sul se deitam nas frentes dos carros nas ruas da capital Juba
Foto: Reuters
O Sudão do Sul se tornou oficialmente às 18h01 desta sexta-feira (hora de Brasília, 0h01 de sábado, hora local)
Foto: Reuters
Segundo o enviado da BBC a Juba Will Ross, às vésperas do nascimento do país as rádios tocaram sem parar o hino nacional sul-sudanês, composto por estudantes locais
Foto: Reuters
O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos
Foto: Reuters
Em janeiro, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região
Foto: Reuters
Povo vai às ruas com a bandeira do Sudão do Sul para celebrar a independência
Foto: AFP
Segundo a ONU, esta é a declaração de independência de número 193
Foto: AFP
O Sudão do Sul se proclamou independente oficialmente, separando-se do norte depois de cinco décadas de conflitos que mergulharam o novo país em miséria
Foto: EFE
Mulheres sudanesas comemoram independência do Sudão do Sul
Foto: EFE
Helicópteros militares sudaneses carregam duas bandeiras do Sudão do Sul, durante cerimônia na capital
Foto: AFP
Milhares de sul-sudaneses dançaram e comemoraram a criação de um novo país
Foto: Reuters
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