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Em viagem à Turquia, papa Leão XIV denuncia violência religiosa

O papa Leão XIV condenou nesta sexta-feira (28) as violências cometidas em nome da religião durante um evento histórico com líderes cristãos do Oriente Médio. Em sua primeira viagem ao exterior como chefe da Igreja Católica, o pontífice pediu a superação das divisões seculares.

28 nov 2025 - 16h27
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Durante a celebração do 1.700º aniversário do Concílio de Niceia, na presença de altos dignitários cristãos vindos especialmente da Turquia, Egito, Síria e Israel, Leão XIV lamentou que os 2,6 bilhões de cristãos no mundo não estejam mais unidos.

O papa Leão XIV, na Catedral do Santo Espírito, em Istambul, em sua primeira viagem ao exterior desde o início de seu pontificado. Em 28 de novembro de 2025.
O papa Leão XIV, na Catedral do Santo Espírito, em Istambul, em sua primeira viagem ao exterior desde o início de seu pontificado. Em 28 de novembro de 2025.
Foto: AFP - ANDREAS SOLARO / RFI

"Hoje, toda a humanidade, aflita pela violência e pelos conflitos, clama por reconciliação", declarou o papa durante uma cerimônia em Iznik, antiga Niceia, onde os primeiros teólogos redigiram um credo ainda utilizado pela maioria dos cristãos.

"Devemos rejeitar firmemente o uso da religião para justificar a guerra, a violência ou qualquer forma de fundamentalismo ou fanatismo", acrescentou Leão XIV, o primeiro papa americano. "Os caminhos a seguir são os do encontro fraterno, do diálogo e da cooperação."

A cerimônia, na qual os líderes religiosos rezaram em inglês, grego e árabe e acenderam velas perto das ruínas submersas de uma basílica do século IV, constituiu o ponto central da visita de quatro dias de Leão XIV à Turquia, país majoritariamente muçulmano.

Leão XIV, relativamente desconhecido na cena internacional antes de sua eleição em maio, está sendo observado de perto à medida que pronuncia seus primeiros discursos fora da Itália e encontra fiéis no exterior pela primeira vez.

Russos ortodoxos não comparecem

Os cristãos permaneceram amplamente unidos durante o primeiro milênio, antes de se dividirem com o Cisma de 1054, entre as comunidades ortodoxas e católicas. Outras rupturas vieram depois, especialmente a Reforma Protestante, que desencadeou guerras na Europa.

Leão XIV afirmou aos presentes que, se os cristãos conseguirem se reconciliar, isso oferecerá "uma mensagem de paz e fraternidade universal que transcende as fronteiras de nossas comunidades e de nossas nações".

O patriarca ecumênico Bartolomeu, líder espiritual dos 260 milhões de cristãos ortodoxos, participou da cerimônia em Iznik, a 140 km ao sudeste de Istambul.

A propagação do conflito ucraniano para as igrejas ortodoxas ficou evidente nesta sexta-feira com a ausência notável de representantes do Patriarcado de Moscou, que regularmente demonstra sua proximidade ideológica com o presidente russo Vladimir Putin e que rompeu com Bartolomeu em 2018.

Viajar ao exterior tornou-se um componente essencial do pontificado moderno, com os papas atraindo atenção internacional por meio de grandes encontros, discursos de política externa e iniciativas diplomáticas.

Chegando à Turquia na quinta-feira, Leão XIV lamentou, em seu primeiro discurso fora da Itália, o número incomum de conflitos sangrentos no mundo.

Em encontro com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, destacou que uma terceira guerra mundial estava ocorrendo "em pedaços", ameaçando o futuro da humanidade.

Embora a Turquia tenha somente cerca de 33 mil católicos entre seus 85 milhões de habitantes, segundo o Vaticano, o país foi, em outros tempos, um florescente centro do cristianismo, terra de grandes santos como os apóstolos Filipe, Paulo e João.

Leão XIV encontrou na manhã de sexta-feira a pequena comunidade católica de Istambul, onde incentivou os fiéis a concentrarem seus esforços na ajuda a migrantes na Turquia, que acolhe quase 4 milhões de estrangeiros, incluindo cerca de 2,4 milhões de sírios, além de migrantes vindos do Afeganistão, Irã e Iraque.

Seguindo os passos de seu predecessor Francisco, Leão XIV fez da defesa dos migrantes uma prioridade em seus primeiros seis meses de pontificado, criticando frequentemente as políticas anti-imigração do presidente americano Donald Trump.

Agenda cheia na Turquia e no Líbano

Aos 70 anos, Leão XIV tem uma agenda intensa nesta viagem de seis dias. Na Turquia, visitará, no sábado (29) a Mesquita Azul, a antiga catedral de Santa Sofia e celebrará uma missa em um ginásio de Istambul. A paz deverá ser o tema central de sua visita ao Líbano, que começará no domingo.

O Líbano, que possui a maior proporção de cristãos do Oriente Médio, está abalado pelas repercussões do conflito em Gaza, já que Israel e o Hezbollah libanês se enfrentaram, culminando em uma ofensiva devastadora de Israel.

Os líderes libaneses, que acolhem 1 milhão de refugiados sírios e palestinos e lutam para se recuperar de anos de crise econômica, temem uma intensificação dos ataques israelenses nos próximos meses e esperam que a visita papal atraia a atenção mundial para o país.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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