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Diplomatas do Brasil em Caracas ignorarão Maduro, diz Araújo

Segundo chanceler, representantes continuarão na Venezuela, mas apenas respondendo a Guaidó

24 jan 2019 - 07h35
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DAVOS - Num gesto diplomático de apoio a Juan Guaidó, o Itamaraty orientou seus diplomatas em Caracas a responder apenas ao presidente da Assembleia Nacional, considerado a partir de quarta-feira, 23, como a única autoridade legítima e reconhecida pelo Brasil.

Ao Estado, o chanceler Ernesto Araújo indicou que não vai retirar da Venezuela os diplomatas brasileiros. "Eles ficam", disse na manhã desta quinta-feira, 24, em Davos. Outra orientação, segundo ele, seria a de apenas manter contatos com a equipe de Guaidó.

Diante do fim do reconhecimento do governo de Nicolás Maduro por diversos governos latino-americanos, foram dadas 72 horas para a diplomacia dos EUA se retirar do país. A Casa Branca, porém, indicou que as ordens de Maduro não tinham efeito.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo
Foto: WALTERSON ROSA/FRAMEPHOTO / Estadão Conteúdo

O Estado obteve uma carta assinada pelo próprio Guaidó e enviada a todas as embaixadas estrangeiras em Caracas. Nela, o presidente da Assembleia afirma que "deseja firmemente que mantenham sua presença diplomática em nosso país".

Ele também conclama governos estrangeiros a ignorar as ordens de Maduro. "Peço que desconheçam qualquer ordem ou disposição que contradiga o firme propósito do poder legítimo da Venezuela, que em virtude da Constituição, ostento, de que as missões diplomáticas, chefes de missões e todos seus funcionários continuem operando na Venezuela com normalidade e que se respeitem todas as imunidade e privilégios", escreveu.

"Qualquer disposição contrária careceria de validade, já que emanaria de pessoas ou entidades que, por seu caráter usurpatório, não tem autoridade legítima para pronunciar-se a respeito", completou Guaidó.

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