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Design de Instagram e Facebook cria dependência e compulsão, diz UE

Comissão Europeia acusa Meta de violar a Lei de Serviços Digitais

10 jul 2026 - 08h25
(atualizado às 08h39)
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O poder Executivo da União Europeia acusou a Meta de violar a Lei de Serviços Digitais (DSA) do bloco ao projetar o Instagram e o Facebook com recursos que criam dependência, como rolagem infinita, reprodução automática, notificações push e sistemas de recomendação altamente personalizados.

UE criticou recursos como rolagem infinita e reprodução automática no Facebook e Instagram
UE criticou recursos como rolagem infinita e reprodução automática no Facebook e Instagram
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo relatório preliminar da Comissão Europeia, esses elementos favorecem o uso compulsivo das plataformas, representando riscos à saúde física e mental dos usuários, especialmente menores e pessoas vulneráveis.

A investigação, iniciada em maio de 2024, aponta que a Meta não avaliou adequadamente os riscos decorrentes do design das plataformas, subestimando o impacto de ferramentas que "alimentam o impulso do usuário a continuar rolando" os conteúdos e o colocam em uma espécie de "piloto automático".

Bruxelas sustenta ainda que a empresa ignorou dados disponíveis sobre o tempo que menores passam nas plataformas durante a madrugada e os efeitos negativos de formatos como reels e stories, como ansiedade, depressão e distúrbios do sono.

A vice-presidente da Comissão Europeia e comissária de Tecnologias Digitais, Henna Virkkunen, afirmou que "a proteção da saúde física e mental" dos usuários "deve ser uma prioridade para as plataformas de mídia social" e que a DSA fornece um "quadro regulatório claro" para responsabilizá-las "pelo design que cria dependência".

Caso as conclusões sejam confirmadas, a Meta poderá ser multada em até 6% de seu faturamento global anual.

Para Bruxelas, as medidas adotadas pela multinacional em prol da proteção de menores ainda são insuficientes, pois as configurações podem ser facilmente contornadas e os controles parentais não são suficientemente eficazes. A Comissão Europeia também ressaltou que "quase metade das crianças europeias tem uma conta no Instagram aos 12 anos, idade inferior à prevista nos próprios termos da Meta".

Nesse sentido, a Comissão Europeia pede modificações no design do Instagram e do Facebook, desativando as funções de rolagem infinita e reprodução automática, introduzindo pausas eficazes no tempo de utilização e tornando os sistemas de recomendação "menos orientados a maximizar o engajamento dos usuários".

"Com a decisão de hoje, demonstramos que as plataformas online serão chamadas a responder pelas próprias responsabilidades, porque as Big Techs não podem lucrar às custas do bem-estar de nossos filhos", afirmou um porta-voz da UE, destacando que o relatório é preliminar e que a Meta poderá exercer seu direito de defesa.

Ansa - Brasil
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