Decreto de cidadania pode desestimular consumo de produtos ?Made in Italy?
Pesquisa em São Paulo revela descontentamento dos nativos
Um estudo exploratório conduzido por Walther Bottaro, professor universitário de economia empresarial e doutorando da Universidade de São Paulo, analisou o impacto do decreto-lei que limita a transmissão da cidadania italiana por direito de sangue no consumo de produtos "Made in Italy" por descendentes de italianos em São Paulo.
Segundo a pesquisa, 70% dos 128 participantes disseram que a medida impactaria negativamente suas decisões de compra: 37% planejam parar ou quase parar, e 20% querem reduzir seu consumo pela metade. Já 87% das pessoas dizem que os laços culturais e familiares com a Itália influenciam fortemente suas escolhas de consumo.
Mas talvez o dado mais curioso seja que quem mais consome também é o mais propenso a reagir: entre aqueles que gastam mais de 2 mil reais por mês (cerca de 333 euros), 55% querem parar ou quase pararam de consumir.
Bottaro explica à ANSA que, da pesquisa, "surge que o consumo de 'Made in Italy' aqui assume um valor simbólico, tornando-se um ato de contestação identitária".
"E o distanciamento também se estende ao turismo de raiz: 62% afirmam ter perdido, total ou parcialmente, o interesse em visitar a Itália". .