Cuba mata 4 pessoas e fere 6 em barco americano 'ilegal'
Havana acusa embarcação de tentar cometer ato terrorista
Ao menos quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas no litoral de Cuba após uma lancha registrada nos Estados Unidos abrir fogo contra a Guarda Costeira da ilha na quarta-feira (25). As informações são do Ministério do Interior de Havana, que revelou nesta quinta (26) que todos os dez ocupantes da embarcação são cubanos com "intenções terroristas" que viviam em território americano.
O governo especificou que "a embarcação ilegal, registrada na Flórida, foi detectada em águas territoriais cubanas" a cerca de 1,6 quilômetro da costa norte, perto da cidade de Corralillo.
Em um primeiro comunicado, emitido ainda ontem, o ministério havia definido a tripulação da lancha como "estrangeiros", os quais teriam aberto fogo contra uma unidade da Guarda Costeira, ferindo o comandante cubano.
As autoridades de Havana reforçaram ainda que "no contexto das tensões atuais, Cuba reitera seu compromisso com a proteção de suas águas territoriais, com base no princípio de que a defesa nacional é um pilar fundamental para o Estado cubano na salvaguarda de sua soberania e estabilidade na região" e que "as investigações pelas autoridades competentes continuam para esclarecer completamente os fatos".
"Como resultado do confronto, quatro estrangeiros foram mortos e seis ficaram feridos", informou o ministério na quarta, revelando hoje que os ocupantes eram cubanos residentes nos EUA com intenções "terroristas".
De acordo com o site governamental Cuba Debate, as autoridades de Havana encontraram na lancha fuzis de assalto, pistolas, explosivos caseiros, coletes à prova de balas, binóculos e uniformes camuflados.
Sete pessoas foram identificadas: seis foram presas e Michel Ortega Casanova foi morto durante a operação, enquanto as outras três vítimas ainda estão sendo identificadas.
Segundo o Ministério do Interior, Duniel Hernández Santos, enviado de Washington para coordenar a operação, foi preso em Cuba e teria confessado sua participação. Ao mesmo tempo, alguns dos suspeitos "já eram procurados por terrorismo, conforme a Resolução 1373 do Conselho de Segurança da ONU".
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, com origens cubanas, declarou que o governo dos EUA "reagirá de acordo" assim que os fatos forem apurados.
Pouco antes do ataque, o governo de Donald Trump flexibilizou algumas restrições ao envio de petróleo a Cuba, isentando empresas que solicitarem licenças para vender petróleo bruto venezuelano à ilha, comunicou o Departamento do Tesouro dos EUA, abrindo caminho para abrandar a grave crise de combustível vivenciada pelos cubanos.
A Rússia, uma antiga aliada da Venezuela, comentou nesta quinta o episódio envolvendo a lancha americana.
"A guarda costeira cubana fez o que tinha que fazer nesta situação. Não há nada a comentar, considerando que, como relatado por Havana, os cidadãos cubanos capturados, que tentaram se infiltrar na ilha armados, admitiram que tentaram fazê-lo com a intenção de cometer atos terroristas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pedindo ainda "moderação" no caso a fim de "não permitir qualquer ação provocatória".
Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas em 3 de janeiro, as tensões entre EUA e Cuba tem crescido: além de Washington ter aumentado os embargos contra Havana, Trump tem repetido que pretende promover uma "mudança de regime" na ilha até o fim de 2026 e que está buscando pessoas em Havana para "contribuir" com um eventual acordo que encerre a era comunista no país.