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Coruja do Harry Potter e ariranha do Brasil entram em lista de espécies migratórias protegidas pela ONU

A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (CMS) da ONU aprovou neste domingo (29) a inclusão de 40 novas espécies migratórias que passam agora a ser objeto de proteção internacional, ao fim de sua 15ª reunião (COP15) realizada no Brasil. Entre os animais escolhidos constam desde a coruja tornada famosa pela saga Harry Potter (Bubo scandiacus) até a lontra-gigante-do-Brasil (Pteronura brasiliensis), conhecida como "ariranha", considerada um símbolo da biodiversidade sul-americana.

29 mar 2026 - 13h45
(atualizado às 13h54)
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A lista aprovada na última sessão plenária inclui, entre outras espécies, o mocho-das-neves (Bubo scandiacus), a coruja tornada famosa pela saga Harry Potter, e a maçarico-de-bico-fino (Limosa haemastica), uma ave de bico longo ameaçada de extinção que percorre 30.000 km por ano ao longo das Américas. O tubarão-martelo-grande (Sphyrna mokarran) também está incluído, assim como mamíferos terrestres, como a hiena-listrada (Hyaena hyaena), e aquáticos, como a lontra-gigante-do-Brasil (Pteronura brasiliensis), conhecida popularmente como "ariranha".

A reunião, que reuniu representantes de 133 partes (132 países e a União Europeia), ocorreu em Campo Grande (centro-oeste), no Pantanal brasileiro, uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta, situada ao sul da Amazônia.

Obrigação legal de proteger as espécies

A Convenção é juridicamente vinculante, o que significa que esses países têm a obrigação legal de proteger as espécies classificadas como ameaçadas de extinção, conservar e restaurar seus habitats, minimizar os obstáculos à sua migração e cooperar entre si para realizar essa preservação.

Segundo um relatório publicado pouco antes da COP15, quase metade (49%) de todas as espécies listadas pela CMS apresenta tendência de declínio populacional, e quase uma em cada quatro está ameaçada de extinção em nível global.

Outro relatório, publicado na terça-feira, alertou para o "colapso" das migrações essenciais à sobrevivência de espécies de peixes de água doce, como as enguias, causado pela degradação dos habitats naturais, pela sobrepesca ou por barragens.

"Esta Convenção (...) nos lembra uma mensagem simples, mas poderosa: as migrações são naturais. Ao atravessar continentes e conectar ecossistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece fronteiras entre os Estados", declarou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso de abertura, há uma semana.

"Proteger esses animais é proteger a vida do planeta", resumiu. O Brasil já havia sediado em novembro passado a COP30, conferência da ONU sobre o clima, na cidade amazônica de Belém.

Temida, ariranha é um dos maiores predadores de rios

A lontra-gigante-do-Brasil (Pteronura brasiliensis), também conhecida como ariranha, é o maior mamífero aquático da família das lontras e um dos principais predadores de rios da América do Sul. Com até cerca de 1,8 metro de comprimento, incluindo a cauda, a espécie habita principalmente bacias hidrográficas da Amazônia e do Pantanal, onde depende de ambientes de água doce bem preservados para sobreviver.

Animal altamente social, a ariranha vive em grupos familiares organizados, geralmente formados por um casal reprodutor e seus filhotes. A espécie se destaca pela comunicação vocal intensa e pelo comportamento cooperativo na caça, especialmente de peixes, sua principal fonte de alimento.

Essa organização social complexa é relativamente rara entre os mustelídeos e contribui para sua eficiência na ocupação de territórios ribeirinhos.

Ameaçada de extinção e sinal de qualidade ambiental

Classificada como ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a lontra-gigante sofreu forte declínio ao longo do século 20, sobretudo devido à caça para exploração de pele e à degradação de habitats. Hoje, as principais ameaças incluem o desmatamento das margens de rios, a poluição hídrica, a fragmentação de habitats e os impactos de grandes empreendimentos hidrelétricos.

Apesar disso, populações ainda persistem em áreas protegidas da Amazônia e do Pantanal, onde a espécie é considerada um importante indicador da qualidade ambiental dos rios. Sua presença costuma sinalizar ecossistemas relativamente equilibrados, o que reforça seu papel simbólico em iniciativas de conservação da biodiversidade brasileira.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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