Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Conflito no Líbano se intensifica com violento avanço israelense e alerta de Teerã sobre escalada

Israel ordenou nesta segunda-feira (1º) a evacuação da zona sul de Beirute e ameaçou atacar posições do Hezbollah, ampliando a ofensiva terrestre no Líbano e aprofundando a crise regional. A escalada ocorre às vésperas de novas negociações em Washington, enquanto o Irã reage com ameaças de abrir "novas frentes" e acusa Israel de violar a trégua em vigor desde abril, elevando o risco de ruptura total do cessar-fogo.

1 jun 2026 - 16h09
Compartilhar
Exibir comentários

Israel pediu nesta segunda-feira (1º) que moradores da zona sul de Beirute deixem suas casas, afirmando que poderá atacar alvos do Hezbollah caso o grupo continue lançando foguetes contra seu território. A medida marca a incursão militar mais profunda de Israel no Líbano em 26 anos e reacende temores de uma expansão do conflito no Oriente Médio.

O anúncio foi feito horas antes de uma nova rodada de negociações entre Israel e Irã prevista para ocorrer em Washington. No início da noite, porém, Donald Trump afirmou ter recebido do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a garantia de que tropas de Israel não seriam enviadas a Beirute. Segundo o presidente norte-americano, o Hezbollah teria concordado, por meio de intermediários, em "cessar totalmente o fogo".

Mais cedo, Netanyahu havia ordenado ao Exército que atingisse "alvos terroristas" na região, considerada o principal reduto urbano do Hezbollah. O comando militar israelense divulgou um aviso pedindo que moradores deixassem a área, densamente povoada, e alertou que ataques ocorreriam caso o grupo xiita mantivesse o disparo de foguetes.

O Irã reagiu acusando Israel de ultrapassar "linhas vermelhas" e ameaçou abrir "novas frentes" caso a ofensiva continue. Teerã condiciona qualquer acordo para encerrar a guerra a um cessar-fogo no Líbano, arrastado para o conflito desde 2 de março. Uma trégua deveria estar em vigor desde 17 de abril, mas tem sido repetidamente violada.

A França pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU ainda nesta segunda-feira. O presidente Emmanuel Macron afirmou que "nada justifica a escalada maior em curso no sul do Líbano", reforçando a preocupação internacional com o risco de colapso das negociações.

Fuga em massa e clima de pânico na capital libanesa

Jornalistas da AFP relataram que centenas de famílias deixaram a zona sul de Beirute a pé, de moto ou em carros carregados de pertences. Moradores afirmaram que as declarações israelenses provocaram "pânico geral", levando muitos a abandonar suas casas mesmo durante a trégua parcial.

No meio da tarde, ruas estavam vazias e lojas fechadas. Dois ministros europeus - da Alemanha e da Noruega - que viajavam para Beirute cancelaram a visita e retornaram aos seus países. A União Europeia pediu que Israel interrompa a "escalada militar", enquanto a ONU declarou estar "muito preocupada" com a deterioração da situação.

Netanyahu justificou a ofensiva afirmando que o Hezbollah tem cometido "violações repetidas do cessar-fogo" e atacado "cidades e cidadãos" israelenses. Uma fonte próxima ao movimento xiita questionou a lógica da trégua: "Por que cessar ataques que prejudicam Israel se ele continua bombardeando o Líbano?".

Trump afirmou ter tido um "ótimo" diálogo indireto com o Hezbollah e disse que o grupo aceitou parar de atirar. Segundo um funcionário norte-americano, os Estados Unidos haviam proposto um plano para interromper os ataques de ambos os lados.

Hezbollah reage 

O Hezbollah reivindicou ataques com mísseis contra alvos militares no norte de Israel nesta segunda-feira. O grupo afirmou também estar combatendo tropas israelenses nos arredores da fortaleza medieval de Beaufort, ponto estratégico que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel.

Vista do castelo de Beaufort, no Líbano, em 31 de maio de 2026, após o Exército israelense anunciar ter tomado o local. Uma bandeira de Israel foi hasteada no topo da fortaleza.
Vista do castelo de Beaufort, no Líbano, em 31 de maio de 2026, após o Exército israelense anunciar ter tomado o local. Uma bandeira de Israel foi hasteada no topo da fortaleza.
Foto: RFI

Forças de Israel haviam tomado a fortaleza no domingo, e Netanyahu classificou o episódio como um "ponto de virada" das operações no país vizinho. A área já havia sido usada como base militar israelense antes da retirada de 2000, após 18 anos de ocupação.

O novo ciclo de violência começou após um ataque do Hezbollah em resposta às ofensivas israelo-americanas contra o Irã. Desde então, Israel tem realizado ataques aéreos e terrestres no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah intensifica o lançamento de foguetes e drones.

A Agência Nacional de Informação do Líbano informou que Israel atacou mais de 40 localidades nesta segunda-feira, incluindo áreas próximas a um hospital em Tiro. Um correspondente da AFP registrou danos significativos e equipes de resgate apagando um incêndio no estacionamento do hospital Jabal Amel. Vídeos divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que um setor da unidade foi atingido.

Mortes, deslocamentos e impasse diplomático 

O presidente libanês Joseph Aoun denunciou uma "agressão feroz" de Israel, mas afirmou que as negociações entre os dois países continuam sendo "a única forma de pôr fim à guerra", apesar da oposição do Hezbollah ao diálogo direto.

Desde 2 de março, mais de 3.412 pessoas foram mortas no Líbano e mais de um milhão foram deslocadas, segundo autoridades locais. Do lado israelense, o balanço é de 26 mortos - 25 soldados e um funcionário civil.

A escalada também provocou impacto econômico imediato. Após a notícia de que o Irã suspendeu negociações com os Estados Unidos e ameaçou bloquear o estreito de Bab el-Mandeb, os preços do petróleo dispararam. O Brent subiu 6,6%, chegando a US$ 97,4, enquanto o WTI avançou 7,7%, a US$ 94,04.

O Irã afirmou ainda que 15 navios, incluindo quatro petroleiros, cruzaram o estreito de Ormuz nas últimas 24 horas com autorização de Teerã, em meio a temores de bloqueio da rota marítima.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra