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Relatório aponta Argentina entre os 10 piores países do mundo para trabalhadores em 2026

Índice global da Confederação Sindical Internacional cita aumento de prisões, violência e restrições à atuação sindical

1 jun 2026 - 17h17
(atualizado às 17h19)
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Manifestantes argentinos se reúnem em frente ao Congresso Nacional para protestar contra a reforma trabalhista.
Manifestantes argentinos se reúnem em frente ao Congresso Nacional para protestar contra a reforma trabalhista.
Foto: Silvana Safenreiter/NurPhoto via Getty Images

Os dez piores países do mundo para trabalhadores em 2026 são Argentina, Belarus, Equador, Egito, Eswatini, Myanmar, Nigéria, Panamá, Tunísia e Turquia, segundo relatório da Confederação Sindical Internacional (CSI). A entidade divulgou a edição de 2026 do Global Rights Index, levantamento anual que monitora violações de direitos trabalhistas em 151 países.

De acordo com a CSI, houve agravamento das condições para trabalhadores e sindicatos em diversas partes do mundo. O estudo aponta que ataques à liberdade de expressão e de reunião atingiram um recorde, sendo registrados em 50% dos países analisados.

Além disso, 75 países realizaram prisões ou detenções de trabalhadores e representantes sindicais, o maior número já registrado pelo índice.

O levantamento também indica que o direito de greve foi violado em 87% dos países avaliados, enquanto 80% restringiram a negociação coletiva e 75% dificultaram a criação ou o registro de sindicatos.

Entre os países que passaram a integrar a lista dos dez piores em 2026 estão Argentina e Panamá. Segundo o relatório, ambos registraram deterioração de seus indicadores trabalhistas pelo segundo ano consecutivo.

No caso argentino, a CSI afirma que o país caiu para a categoria 5 do índice, classificação reservada a nações onde não há garantia efetiva de direitos aos trabalhadores.

"Desde que assumiu o poder, em 2023, o presidente de extrema direita Javier Milei tem conduzido uma agenda fortemente contrária aos sindicatos, enfraquecendo direitos trabalhistas básicos, liberdades civis e a atuação sindical", afirma o relatório.

Já o Panamá entrou na lista após registrar aumento da repressão a sindicatos e trabalhadores. O documento cita ameaças de dissolução ao principal sindicato da construção civil do país, detenções de sindicalistas e repressão a manifestações relacionadas a reformas da previdência social.

"Em 2025, o governo conservador e contrário aos sindicatos do presidente José Raúl Mulino ameaçou dissolver o Sindicato Único Nacional dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Similares (SUNTRACS), maior entidade representativa dos trabalhadores da construção civil do país", destaca o relatório. O documento também afirma que autoridades prenderam indevidamente integrantes do sindicato e seus familiares, levando alguns deles ao exílio.

Segundo a metodologia da CSI, cada país recebe pontuações conforme a ocorrência de 97 indicadores de violações relacionados a direitos como liberdade sindical, negociação coletiva e direito de greve. A partir dessa pontuação, os países são classificados em uma escala que vai de 1 a 5+, na qual 1 representa violações esporádicas e 5+ indica ausência de garantias de direitos em razão do colapso do Estado de Direito, geralmente em contextos de conflito interno ou ocupação militar.

Ainda de acordo com o estudo, trabalhadores e sindicalistas foram mortos em Angola, Colômbia, Indonésia e México durante o período analisado.

O relatório também aponta que o Oriente Médio e o Norte da África permanecem como a pior região do mundo para trabalhadores, com nota média de 4,68 na escala de 1 a 5.

Criado em 2014, o Global Rights Index é considerado pela CSI o principal levantamento internacional sobre violações de direitos trabalhistas, com base em informações fornecidas por sindicatos e organizações filiadas em todo o mundo.

Fonte: Portal Terra
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