Combates em Bani Walid, na Líbia, deixam 26 mortos e mais de 200 feridos
20 out2012 - 15h01
(atualizado às 21h08)
Compartilhar
Combates entre as forças governamentais líbias e grupos armados em Bani Walid, um bastião do regime de Muamar Kadhafi, deixaram pelo menos 26 mortos e mais de 200 feridos neste sábado, segundo contagem da AFP a partir dos balanços dos hospitais.
Em 20 de outubro de 2011, após meses de guerra que varriam a Líbia, o líder deposto Muammar Kadafi é morto durante a captura a cidade de Sirte pelos insurgentes. Três dias depois, o Conselho Nacional de Transição, principal órgão dos rebeldes, anunciou a libertação oficial do país, abrindo um longo caminho de reconstrução da política, da justiça e da sociedade
Foto: AFP
Fontes hospitalares citadas pela agência líbia Lana falavam em 22 mortos e mais de 200 feridos no hospital de Misrata, onde são atendidos os ex-rebeles alistados nas tropas governamentais e o hospital de Bani Walid informou a morte de quatro pessoas, entre elas uma menina de 4 anos e 23 feridos.
Segundo o subdiretor do hospital de Bani Walid, a situação da cidade voltou ao normal no começo da noite deste sábado. Testemunhas informaram que o principal hospital de Misrata transbordava por causa da chegada de dezenas de feridos.
Anteriormente o coronel Ali al Chiji, porta-voz do chefe do Estado Maior, declarou que tropas avançavam "para o centro de Bani Walid", uma cidade acusada de abrigar seguidores do antigo regime procurados pela justiça.
A ofensiva coincide com o primeiro aniversário da morte de Muamar Kadhafi, capturado e morto no dia 20 de outubro de 2011 em sua cidade natal de Sirte.
No dia 31 de outubro, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encerra a polêmica intervenção na Líbia, determinante para a vitória dos insurgentes, dizimados pelas forças de Kadafi. Posteriormente, em março de 2012, um relatório da ONU indicou que ao menos 60 civis morreram durante os bombardeios intervencionistas. Na foto, o chefe Otan. Anders Fogh Rasmussen, fala à imprensa com o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, em Trípoli
Foto: AFP
Em novembro de 2011, o Conselho Nacional de Transição (CNT) anuncia a formação do novo governo provisório da Líbia, liderado pelo premiê Abduraheem el-Keib. O governo provisório é mantido até as eleições legislativas, realizadas em julho de 2012 após adiamento de um mês
Foto: AFP
No dia 7 de julho, após 40 anos de governo forte e ininterrupto de Kadafi, os líbios vão às urnas nas primeiras eleições gerais democráticas modernas da história do país, para eleger um Congresso Nacional Líbio, a substituir o CNT, abrindo caminho para a formação de uma assembleia para redigir uma Constituição para o país, inexistente durante a era Kadafi. As eleições são aprovadas por observadores internacionais
Foto: AFP
As eleições são vencidas pelos liberais líbios, liderados pelo ex-premiê Mahmoud Jibril, na Aliança Força Nacional, que ganham 40 assentos. Eles são seguidos pelos islâmicos, que obtêm 17 assentos
Foto: AFP
Em agosto, os congressistas líbios elegem como presidente Mohammed Magarief, da Frente Nacional. O caminho político, todavia, é tortuoso. Em outubro, protestos levam à formação de um novo gabinete político, colocando em xeque o andamento das reformas políticas frente às reivindicações de um país ainda um tanto dividido pela guerra e pela era Kadafi
Foto: AFP
Um dos principais desafios pós-Kadafi são as vertentes do separatismo líbio. É o caso da região da Cirenaica, onde se gestam movimentos federalistas de maior autonomia, como o decreto emitido em março de 2012. O governo reage prometendo reconhecer as reivindicações, mas afirma que "a Líbia é e será uma unidade indivisível, mesmo que seja pela força". Em julho, federalistas fecham temporariamente o porto petroleiro de Ras Lanouf
Foto: AFP
A tensão do separatismo se expressa também nos conflitos pós-Kadafi. Além de atentados contra o governo, como a tentativa de assassinato do premiê Al-Kib em novembro de 2011 em Trípoli, confrontos tribais e entre milícias assolam o país durante o período da reconstrução política. Em fevereiro de 2012, combates deixam 100 mortos em 10 dias. Em março, 70 morrem em conflitos em Sabha, no sul do país. Em junho, uma semana de confrontos no oeste do país deixam mais de 100 vítimas fatas
Foto: AFP
Em 20 de outubro de 2011, após meses de guerra que varriam a Líbia, o líder deposto Muammar Kadafi é morto durante a captura a cidade de Sirte pelos insurgentes. Três dias depois, o Conselho Nacional de Transição, principal órgão dos rebeldes, anunciou a libertação oficial do país, abrindo um longo caminho de reconstrução da política, da justiça e da sociedade
Foto: AFP
O conflito interno atinge também os representantes das forças internacionais, como mostram os ataques contra representantes diplomáticos. Foram pelo menos três ações ou ataques contra as embaixadas ou comitivas oficiais da Rússia (fevereiro de 2012), dos EUA e do Reino Unido (ambos em junho). O episódio mais marcante ocorreu em 12 de setembro, quando um protesto em Benghazi culminou com um ataque à embaixada americana, matando o embaixador Christopher Stevens
Foto: Reuters
Estes conflitos encontram eco na situação ainda precária dos direitos humanos na nova Líbia. Desde o fim da era Kadafi, inúmeros relatórios de organizações internacionais comprovam este desafio. Um dos primeiros foi publicado em novembro de 2011, pela ONU, segundo o qual sete mil presos ainda se encontravam sob poder de brigadas revolucionárias: "falta muito a fazer para regularizar os processos, evitar os abusos e conseguir a libertação de pessoas, cujas prisões não devem ser prologadas"
Foto: AFP
Em 2012, novos relatórios mantiveram as denúncias de precariedade das prisões e do tratamento desleal mantido contra prisioneiros. Em fevereiro, a Anistia Internacional afirma que "as milícias ameaçam as esperanças de uma nova Líbia". Em julho, um comunicado da Human Rights Watch denuncia que o CNT "não conseguiu assumir a responsabilidade pelas cerca de 5 mil pessoas detidas de forma arbitrária por grupos armados, algumas das quais foram torturadas severamente após a expiração do przo"
Foto: AFP
Neste ambiente de turbulências, a Líbia tenta também encontrar o caminho da sua própria justiça. Em fevereiro, teve início em Benghazi o primeiro julgamento dos partidários de Kadafi. Em junho, o último premiê da ditadura, Mahmoudi Baghdadi, foi presos e levado a julgamento no início de julho. O mesmo ocorre com Abdullah al-Senusi (foto), ex-chefe dos serviços secretos, que foi extraditado pela Mauritânia, onde buscou refúgio depois da guerra
Foto: AP
Um dos maiores impasses jurídicos da nova Líbia é o julgamento de Saif al-Islam, filho considerado o herdeiro político de Muammar Kadafi. Após proeminente papel durante a guerra, Al-Islam desapareceu e foi capturado em uma emboscada no dia 19 de novembro de 2011 em Zintan, no sul da Líbia. A foto mostra o filho de Kadafi sob poder dos rebeldes
Foto: Movimento 17 de fevereiro / AFP
Os líbios consideram que Al-Islam deve ser julgado em solo africano e garantem que dispõem dos instrumentos jurídicos para tanto. O Tribunal Penal Internacional, todavia, receia que o herdeiro de Kadafi não seja submetido ao processo devido na Líbia, razão pela qual Trípoli e Haia batalham atualmente pelo direito de julgá-lo. O TPI faz questão de julgá-lo por sua suposta cumplicidade dos crimes cometidos durante a era Kadafi
Foto: AFP
E um ano depois de sua morte restam dúvidas sobre o desfecho do próprio Kadafi. O governo líbio afirma que o ex-líder morreu em um tiroteio não intencional ocorrido logo após sua captura, mas observadores internacionais questionam a versão oficial. Esta é a denúncia, por exemplo, do relatório "Morte de um ditador: Vingança sangrenta em Sirte" da Human Rights Watch, de 16 de outubro. Segundo o texto, Kadafi teria sido executado
Foto: AFP
Compartilhar
Publicidade
Todos os direitos de reprodução e representação reservados.