Colonos israelenses votam sob críticas internacionais à expansão dos assentamentos na Cisjordânia
O mundo acompanha atento as eleições legislativas em Israel, realizadas nesta terça-feira (27). O pleito acontece em um contexto de crescentes críticas internacionais à condução da guerra em Gaza, bem como à violência e à expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada, sob o governo mais à direita na história do país, liderado por Benjamin Netanyahu.
Sob críticas internacionais aos assentamentos na Cisjordânia, colonos votam na primeira eleição de Israel pós-7 de outubro, pleito decisivo para Benjamin Netanyahu. Entre os sionistas religiosos, o apoio ao governo divide espaço com a frustração pela isenção militar concedida aos ultraortodoxos. A disputa pelas 120 cadeiras do Parlamento mobiliza mais de 7 milhões de eleitores, polarizada entre o direitista Likud e legendas de centro.
Nicolas Falez e Nicolas Benita, enviados especiais da RFI a Israel
Segundo o direito internacional, mais de meio milhão de israelenses vivem nos assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, onde muitos se definem como "sionistas religiosos", representados pelos partidos que governaram Israel durante os últimos quatro anos. Moshe Goldsmith é um deles. Morador das colinas de Itamar, ele se declara apoiador da coalizão de Netanyahu.
"Acredito que este governo tenha sido extraordinário, se considerarmos todos os desafios que enfrentou: o Hezbollah, Gaza, a frente interna aqui na Judeia e Samaria (nome bíblico da Cisjordânia ocupada) e, claro, o Irã e a Síria. Mas, mais uma vez, como a história nos ensina, Israel conseguiu reverter a situação a seu favor", opina o idoso, de barba branca e kipá típica dos judeus religiosos.
Moshe votará na lista do Sionismo Religioso, o partido do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que também vive em um assentamento no norte da Cisjordânia ocupada. Para eleitores com este perfil, a questão do serviço militar também está no centro dos debates entre os habitantes dos assentamentos.
Nacionalistas religiosos estão fortemente representados no exército e em suas unidades de combate. O mesmo não ocorre com outro grupo de judeus em Israel, os ultraortodoxos, que, em sua imensa maioria, não vestem o uniforme.
"Dois dos meus filhos estão em unidades de combate; eles vestiram o uniforme por pelo menos seis meses ao ano, ao longo dos últimos três anos. E isso se vê por toda parte entre os sionistas religiosos, especialmente na Cisjordânia ocupada, onde temos mais soldados reservistas do que em qualquer outro lugar. Fiquei muito decepcionada com a forma como o atual governo lidou com essa questão", lamenta Sondra Barras, que vive no assentamento de Karnei Shomron.
Portanto, Sondra não votará em nenhum dos partidos da coalizão que está deixando o poder, a qual governou nos últimos quatro anos, apoiando-se tanto em legendas de ultraortodoxos quanto de nacionalistas religiosos.
Eleição define composição do Parlamento
A eleição legislativa desta terça-feira (27), a primeira desde os ataques de 7 de outubro de 2023, irá definir os 120 deputados que ocuparão as cadeiras da Knesset, o Parlamento de Israel.
Cerca de 7,3 milhões estão aptos a votar neste pleito, considerado decisivo para o futuro político do país e para a permanência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder.
Ao todo, 34 partidos estão na disputa, após a retirada de duas legendas. A corrida eleitoral é liderada pelo Likud, partido da direita nacionalista comandado por Netanyahu, e pelo partido centrista Yashar, do ex-chefe do Exército israelense Gadi Eisenkot.
Também figuram entre as principais forças o bloco centrista de Naftali Bennett e Yair Lapid, além de partidos como Os Democratas, de Yair Golan, e Israel Beiteinu, de Avigdor Lieberman.
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