Câncer do papa é "ponto de inflexão" para papado, diz chanceler do Vaticano
O diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão e sua cirurgia representam um ponto de inflexão que humanizou sua imagem pública, afirmou o chanceler do Vaticano, arcebispo Paul Gallagher. Segundo a equipe médica, o tumor era localizado, parte do pulmão foi removida e não haverá tratamento adicional. Em evento em Roma, Gallagher também abordou a neutralidade da Santa Sé no recente cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia e defendeu a continuidade do diálogo com a China na controversa nomeação de bispos.
O diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão e sua cirurgia afetaram a forma como os católicos veem sua saúde e seu papado, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Vaticano nesta terça-feira.
"Isso muda um pouco o panorama", disse o arcebispo Paul Gallagher a jornalistas em um evento em Roma.
Leão, de 71 anos, passou por uma cirurgia em 13 de outubro, na qual parte de um pulmão foi removida. Seus médicos afirmaram que o câncer era localizado e não havia se espalhado, e que o papa não precisará de tratamento adicional.
Gallagher disse que, dada a idade relativamente jovem de Leão para um papa e sua boa forma física, alguns católicos pensavam que ele fosse um papa "Super-Homem".
A doença revelou que Leão "é um pobre mortal como todos nós", disse o arcebispo.
PERSEVERAR NO DIÁLOGO
Separadamente, Gallagher também abordou o recente cessar-fogo acordado pela Rússia e pela Ucrânia para permitir a entrada de ajuda humanitária na cidade ucraniana de Oleshky, controlada pela Rússia.
Ele disse que, embora Leão tivesse conversado recentemente tanto com o presidente russo, Vladimir Putin, quanto com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, não acreditava que o Vaticano estivesse envolvido na negociação do cessar-fogo.
"Não creio que tenhamos estado", disse Gallagher.
Ele também falou sobre o acordo em vigor entre o Vaticano e a China quanto à nomeação de bispos católicos no país comunista e reconheceu "imperfeições" no acordo.
O acordo, assinado pela primeira vez em 2018, dá às autoridades chinesas certa influência sobre quem o papa nomeia como bispos no país.
"Não é fácil, o diálogo não é fácil. As imperfeições do acordo são evidentes, mas há um compromisso de perseverar no diálogo… e é isso que continuará a acontecer", disse Gallagher.
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