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China diz que UE está usando dados comerciais de forma seletiva para justificar restrições às importações e alerta sobre resposta

28 mai 2026 - 10h41
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O ‌Ministério das Relações Exteriores da China acusou nesta quinta-feira a União Europeia de usar dados comerciais de forma seletiva para justificar alegações de desequilíbrios, depois que o bloco disse que estava procurando ampliar as cotas e tarifas de importação a produtos chineses para proteger indústrias vulneráveis.

Pequim reagiu ⁠depois que o comissário da Indústria da União Europeia, Stephane Sejourne, disse ‌ao Financial Times que Bruxelas estudará medidas mais rígidas para proteger determinados setores industriais do que o bloco considera uma ameaça "existencial" das ‌importações chinesas.

"Usaremos cláusulas de salvaguarda de forma ‌mais geral em setores e não apenas em empresas ou matérias-primas ⁠específicas", disse Sejourne ao FT, acrescentando que os setores europeus, como o químico, o metalúrgico e o de tecnologia limpa, correm o risco de serem destruídos pela concorrência desleal da China.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que ninguém é forçado a ‌comercializar com a China e que Pequim tomaria todas as medidas necessárias ‌para proteger seus direitos ⁠e interesses legítimos.

"Se ⁠olharmos apenas para o comércio de bens, sem considerar o comércio de serviços ⁠e os rendimentos de investimento, se ‌nos concentrarmos apenas nos ‌números principais do comércio, e não na estrutura do comércio e para onde os lucros fluem... isso naturalmente levará a uma conclusão unilateral do desequilíbrio comercial", disse Mao em uma coletiva de imprensa ⁠regular.

"Seja a redução de riscos, a redução da dependência ou a chamada balança comercial, tudo isso é, em essência, protecionismo", acrescentou Mao.

Sejourne apresentará seu caso durante as conversas entre os comissários da UE na sexta-feira sobre como reequilibrar as relações ‌UE-China.

O porta-voz do comissário confirmou que Sejourne está pressionando para que o bloco implemente cotas e tarifas de importação "de forma mais sistemática" para ⁠proteger as indústrias europeias da concorrência chinesa.

Algumas das maiores economias da UE, incluindo França, Itália e Espanha, estão pressionando Bruxelas a reformular as medidas comerciais para defender o bloco de forma mais eficaz contra importações excessivamente baratas.

O déficit comercial de bens da UE com a China aumentou 2,7% em 2025, chegando a 359,9 bilhões de euros (US$417,88 bilhões).

"O comércio internacional é uma escolha de mão dupla", disse Mao. "Não existe compra ou venda forçada... A China não busca deliberadamente um superávit comercial com a Europa", acrescentou ela, ao mesmo tempo em que pediu à UE que tenha uma visão "abrangente e objetiva" de seus laços econômicos com Pequim.

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