Catar enterra vítimas de ataque israelense em Doha em meio a forte esquema de segurança
Os funerais das seis pessoas mortas em ataques israelenses que tinham como alvo líderes do Hamas em Doha começaram nesta quinta-feira (11), na capital do Catar. A cerimônia contou com a presença do emir Tamim bin Hamad Al Thani e aconteceu sob rígido esquema de segurança. O primeiro-ministro do Catar afirmou que o chefe do governo israelense deve ser julgado.
Os funerais das seis pessoas mortas em ataques israelenses que tinham como alvo líderes do Hamas em Doha começaram nesta quinta-feira (11), na capital do Catar. A cerimônia contou com a presença do emir Tamim bin Hamad Al Thani e aconteceu sob rígido esquema de segurança. O primeiro-ministro do Catar afirmou que o chefe do governo israelense deve ser julgado.
Imagens transmitidas pela emissora de televisão estatal mostraram um caixão coberto com a bandeira do Catar e outros cinco com as cores da Palestina, dispostos na mesquita Sheikh Mohammed bin Abdul Wahab, um dos principais locais religiosos de Doha. O emir Tamim bin Hamad Al Thani participou das orações fúnebres ao lado de dezenas de homens vestidos com trajes tradicionais catarianos, além de civis e membros das forças de segurança.
O Ministério do Interior havia anunciado pela manhã que a cerimônia incluiria a oração fúnebre para os "mártires do ataque israelense", entre eles o cabo Badr Saad Mohammed Al-Humaidi Al-Dosari, integrante das forças de segurança interna (Lekhwiya). O sepultamento foi realizado no cemitério de Mesaimeer. As autoridades reforçaram a segurança nos arredores da mesquita, com a instalação de diversos pontos de controle.
As seis pessoas foram mortas na terça-feira (9), vítimas de um ataque aéreo sem precedentes em território do Catar — aliado estratégico dos Estados Unidos. A ofensiva, lançada por Israel, atingiu um complexo residencial onde estariam líderes do movimento islâmico palestino Hamas.
Segundo o Hamas, seus principais dirigentes sobreviveram à ofensiva. Entre os mortos estão o filho do principal negociador do grupo, Khalil al-Hayya, o chefe de gabinete de Hayya, três seguranças e um policial catariano. Fontes do Hamas afirmaram que seis líderes do movimento, entre eles Khalil al-Hayya, Khaled Mechaal (ex-líder do grupo) e Zaher Jabarine (responsável pelo movimento na Cisjordânia), estavam no edifício no momento do ataque.
Benjamin Netanyahu "dever ser julgado"
O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdul Rahman Al Thani, afirmou na quarta-feira (10) que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, deveria ser levado à Justiça, e que o ataque contra líderes do Hamas em Doha acabou com "toda esperança" de libertar os reféns em Gaza.
"Ele deve ser julgado", afirmou o primeiro-ministro catariano sobre Netanyahu, em declarações ao canal americano CNN. O chefe do governo do Catar, país mediador-chave nas negociações por uma trégua em Gaza e na libertação dos reféns no território palestino, disse que está "reavaliando tudo" em relação ao seu papel em futuras conversas sobre um cessar-fogo.
Al Thani criticou Netanyahu depois que o premiê advertiu que "o Catar e todas as nações que abrigam terroristas devem expulsá-los ou levá-los à Justiça. Porque, se não o fizerem, nós o faremos".
O ataque israelense em Doha também provocou uma reação imediata do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, grande aliado de Israel. "Não estou muito contente", disse o chefe da Casa Branca.
Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, solicitada pelo Catar e que deveria ter ocorrido quarta-feira, foi adiada para esta quinta-feira (11).
(Com agências)