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Candidato à presidência da França, Mélenchon promete estímulo econômico e defende saída da Otan

7 nov 2026 - 15h24
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Resumo
O candidato da esquerda à presidência da França, Jean-Luc Mélenchon, apresentou seu programa para 2027 focado em estímulos econômicos e ruptura com a política de Emmanuel Macron. Suas principais propostas incluem a revogação da reforma da previdência, o aumento do salário mínimo, a taxação dos mais ricos e o congelamento de preços. No âmbito externo e ambiental, Mélenchon defende a saída gradual da França da Otan e a substituição total da energia nuclear por fontes renováveis.

Jean-Luc Mélenchon criticou a ‌Otan e as "guerras americanas", ao mesmo tempo em que prometeu uma recuperação econômica impulsionada por medidas de estímulo, ao divulgar neste sábado seu programa presidencial para 2027 em um comício em Le Bourget, subúrbio ao norte de Paris.

Ao apresentar seu programa econômico, Mélenchon afirmou que seu partido anticapitalista França Insubmissa (LFI) fará o oposto do que faz o ⁠presidente Emmanuel Macron.

"Vamos fazer exatamente o oposto — ou seja, uma política de estímulo", disse ele ‌a cerca de 17 mil apoiadores, segundo o diretor de campanha Manuel Bompard.

"Primeiro, por meio dos gastos do consumidor, pois, em nosso país, isso representa mais da ‌metade da atividade econômica. E, em segundo lugar, por ‌meio dos bilhões (de euros) que já existem. São economias que devem ser ⁠direcionadas para as necessidades ecológicas e sociais do nosso país."

Mélenchon, de 75 anos, é considerado o candidato mais forte da esquerda, e pesquisas de opinião recentes mostram que ele chegaria ao segundo turno das eleições presidenciais em abril próximo contra Marine Le Pen, da extrema direita. Mas elas também indicam que ele perderia no segundo turno.

Seu manifesto, ‌intitulado "L'Avenir en commun" ("Um Futuro em Comum"), é a quinta edição do programa da LFI e ‌reafirma, em grande medida, as ⁠políticas que sustentaram ⁠as candidaturas presidenciais anteriores de Mélenchon.

Entre as principais promessas do programa está a revogação da reforma ⁠previdenciária de Macron, que elevou gradualmente a idade ‌mínima de aposentadoria na França ‌de 62 para 64 anos, em um esforço para fortalecer as finanças públicas. O LFI afirma que restabeleceria a aposentadoria aos 60 anos para pessoas que tenham contribuído para o sistema por 40 anos.

Mélenchon afirmou que uma resposta imediata ⁠à crise do custo de vida deveria incluir medidas para "congelar os preços, aumentar o salário mínimo e indexar os salários à inflação".

O programa da LFI prevê o aumento do salário mínimo mensal líquido de cerca de 1.480 euros para 1.700 euros (1.890 dólares), a abolição do imposto único sobre rendimentos ‌de capital, o aumento dos impostos sobre as famílias mais ricas e a fixação de um teto para os preços dos alimentos essenciais.

Em matéria de política externa, ⁠o programa de Mélenchon reitera suas críticas de longa data à Otan e defende a retirada gradual da França da aliança, começando pela saída de seu comando militar integrado.

"Não temos nada que estar na Otan, nem nas guerras americanas", afirmou Mélenchon. "A França deve construir uma frente global de países não alinhados."

O programa de Mélenchon também reitera seu apoio à eliminação gradual da energia nuclear em favor de um sistema elétrico totalmente renovável, incluindo o cancelamento do programa EPR2 — que previa a nova geração de reatores nucleares com apoio estatal — e a não prorrogação da vida útil das usinas nucleares para além de 60 anos.

Ele também critica a influência alemã na política econômica da UE, descrevendo Berlim como a principal defensora de uma filosofia econômica centrada em regras orçamentárias rígidas, estabilidade de preços e política monetária independente.

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