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Após derrota esmagadora dos republicanos, Vance tenta construir sua própria imagem para 2028

7 nov 2026 - 14h48
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Resumo
Após a derrota republicana nas eleições legislativas, o vice-presidente JD Vance iniciou um distanciamento estratégico de Donald Trump visando a eleição de 2028. Para construir sua própria imagem, Vance passou a focar em nacionalismo econômico e criticou publicamente a guerra contra o Irã, apontada por ele como o principal motivo do revés eleitoral devido à alta no custo de vida. Embora evite um rompimento explícito, ele busca reter a base aliada sem herdar o desgaste político do presidente.

Na reta final de sua ofensiva para tentar ‌salvar as perspectivas dos republicanos nas eleições de meio de mandato, o vice-presidente JD Vance mudou de estratégia. Ele passou a falar menos sobre o presidente Donald Trump e mais sobre as questões que definem sua própria identidade política.

Vance defendeu a causa dos republicanos, que perderam o controle do Congresso na votação de terça-feira, quase exclusivamente sob a ótica de seu portfólio de políticas, de acordo com ⁠uma análise da Reuters de meia dúzia de discursos proferidos desde a convenção republicana em setembro.

Ele evitou ‌as políticas emblemáticas de Trump, incluindo a guerra contra o Irã e as deportações, à medida que pesquisas mostravam que a queda na popularidade do presidente estava prejudicando os candidatos republicanos.

A mudança foi ‌deliberada, segundo duas pessoas a par da estratégia. Vance e ‌seus assessores viam as questões que ele defendia — nacionalismo econômico, moderação na política externa e ⁠segurança pública — como temas politicamente impactantes que ele poderia abordar com autoridade. Enquanto Trump as adotava como parte de seu movimento MAGA, Vance havia se destacado como seu principal defensor, afirmaram essas pessoas.

A mudança ofereceu um primeiro vislumbre de como o vice-presidente de 42 anos poderá traçar seu próprio caminho, à medida que os republicanos começam a olhar além de Trump.

Vance não disse se concorrerá à presidência ‌em 2028, e Trump não o endossou nem a ninguém. Mas Vance é visto como um dos principais ‌candidatos em potencial que, segundo ⁠algumas autoridades republicanas, precisará herdar ⁠grande parte da coalizão de Trump ao mesmo tempo em que se distancia do fardo de seu chefe.

Vance ⁠deu um passo mais público na quarta-feira no sentido de ‌reforçar sua própria marca política ‌com uma análise pós-eleitoral excepcionalmente direta. Em uma postagem nas redes sociais, ele atribuiu a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato à guerra com o Irã e traçou uma plataforma para a recuperação do Partido Republicano.

Ele pediu o fim imediato do conflito e instou ⁠os republicanos a se concentrarem na acessibilidade dos preços, reavaliarem as relações exteriores e reformularem o relacionamento dos EUA com Israel.

Trump classificou as preocupações dos norte-americanos com o custo de vida como uma "farsa" democrata. Ele iniciou uma guerra contra o Irã após pressão contínua do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Trump chegou a apoiar Netanyahu nas eleições israelenses.

VANCE TORNA ‌PÚBLICO DESCONFORTO COM A GUERRA

A postagem colocou Vance, pela primeira vez, abertamente a favor do fim da guerra.

Três pessoas a par das comunicações da Casa Branca e de Vance disseram à Reuters que ⁠o vice-presidente não estava rompendo com Trump e afirmaram que a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, sabia de antemão sobre a postagem de Vance.

Trump reorganizou a alta liderança da Casa Branca na sexta-feira, substituindo Wiles por Stephen Miller — uma medida que sugere que a Casa Branca planeja reforçar algumas das políticas mais linha-dura de Trump.

Trump reconheceu que a guerra contra o Irã teve um papel na derrota republicana devido aos altos preços da gasolina resultantes, mas continuou a defendê-la. "Eu não teria feito nada diferente", disse ele a repórteres na quarta-feira.

A Reuters não conseguiu determinar se Trump estava ciente da postagem com antecedência.

Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente, endossou as declarações de Vance nas redes sociais, juntamente com alguns aliados conservadores.

Representantes de Vance se negaram a comentar. Representantes da Casa Branca remeteram a Reuters aos comentários de Trump na quarta-feira, quando ele disse aos repórteres que compreendia a perspectiva de Vance sobre os resultados eleitorais.

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