Brasil quer falar sobre Venezuela no Conselho de Segurança da ONU, citando soberania e direito
Apesar do tom crítico, discurso não deve citar nominalmente Nicolás Maduro ou Donald Trump
O Brasil pretende discursar no Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Venezuela, condenando a violação da soberania e do direito internacional pelos EUA, sem citar nominalmente Nicolás Maduro ou Donald Trump.
Ainda que não tenha assento permanente no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil vai pedir para fazer uma manifestação no colegiado, que deve seguir o teor da nota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o do comunicado conjunto com a Espanha e outros países da América Latina.
Está previsto que o CS da ONU se reúna nesta segunda, 5, em sessão extraordinária para tratar da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa Cilia Flores pelos Estados Unidos na madrugada de sábado, 3, em Caracas.
O Brasil se prepara para um discurso que seja forte, mas, assim como nas manifestações anteriores, sem citar nominalmente o ditador Nicolás Maduro ou o presidente dos EUA, Donald Trump. A intenção é abordar o descumprimento das regras do direito internacional e da soberania dos países, sejam eles quais forem e por quais problemas passem, no episódio da Venezuela.
Alguns pontos já foram adiantados pela secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, durante coletiva à imprensa no sábado.
"O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira, contra qualquer tipo de invasão territorial, pela soberania dos países.
O que está na posição do presidente Lula desta manhã continua sendo a posição do Brasil e será também apresentado para reunião do Conselho de Segurança, que está convocada para segunda-feira. Não está confirmado, mas será aberto e o Brasil vai participar e repetirá tudo isso", disse, após participar de reuniões de emergência sobre o caso.
Na manhã daquele dia, Lula condenou o ataque promovido pelo governo Trump, disse que a ofensiva norte-americana ultrapassa "uma linha inaceitável" e representa "uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela". Em nenhum momento, o presidente citou Maduro ou Trump.
Ontem, 4, o Itamaraty divulgou uma nota com o posicionamento conjunto dos governos do Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha sobre a situação da Venezuela.
O comunicado cita preocupação com "apropriação externa" de recursos naturais da Venezuela e pede que a ONU atue para a desescalada de tensões, após o ataque dos Estados Unidos. O agrupamento de países é informal e ad hoc - apenas sobre a situação específica do país vizinho.
Os seis países fizeram um apelo pela unidade regional, independente de diferenças políticas. A reunião de ministros das Relações Exteriores da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada ontem, no entanto, terminou sem um consenso sobre o tema.
O grupo é formado por 33 países da América Latina e do Caribe. Em coletiva de imprensa na Flórida, na tarde de sábado, Trump afirmou que o seu governo deve administrar a Venezuela até que uma transição seja concluída.