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Barcelona tem incêndios nas ruas no 4º dia de protestos

17 out 2019
20h37
atualizado às 21h06
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Milhares de pessoas se reuniram em Barcelona no quarto dia de protestos que levaram à pior violência de rua na Espanha em décadas, depois que líderes catalães foram condenados a longas penas de prisão pela tentativa de independência em 2017.

Jovens envoltos em bandeiras catalãs se reuniram pacificamente, jogando bolas e pulando corda. Mais tarde, o clima ficou pesado, com manifestantes ateando fogo em cadeiras na badalada rua Rambla de Catalunya, no coração do distrito turístico.

Manifestantes durante protestos em Barcelona
17/10/2019 REUTERS/Jon Nazca
Manifestantes durante protestos em Barcelona 17/10/2019 REUTERS/Jon Nazca
Foto: Reuters

No início do dia, milhares de estudantes foram às ruas, alguns atirando ovos contra a polícia com escudos de choque. Passeatas de toda a região devem convergir para Barcelona na sexta-feira e os sindicatos convocaram uma greve geral para o dia.

"Não é sobre quem é separatista e quem não é - é sobre direitos humanos", disse Aila, uma estudante que se recusou a dar o nome de sua família.

A Suprema Corte da Espanha considerou nove políticos e ativistas culpados de sedição na segunda-feira e os condenou a até 13 anos de prisão.

Milhares fizeram barricadas no aeroporto na segunda-feira, cancelando voos e deixando turistas retidos. Na quarta-feira, quase 100 pessoas ficaram feridas em toda a região, enquanto carros e latas de lixo foram incendiados durante a noite.

A independência é uma questão altamente divisória que polariza a região rica e inflama o sentimento político no restante da Espanha. Nem aqueles que desejam se separar da Espanha nem os que defendem a unidade constituem uma maioria na população da região.

Líderes pró-independência organizaram um referendo proibido em 2017 e declararam que estavam se separando da Espanha. O governo espanhol imediatamente assumiu o controle da administração catalã e os líderes foram julgados.

Os distúrbios ocorrem em um momento crucial para o primeiro-ministro interino, o socialista Pedro Sánchez, uma vez que ele se prepara para a quarta eleição do país em quatro anos em 10 de novembro.

A oposição de direita pediu uma repressão mais vigorosa ao governo regional pró-independência.

A Catalunha deve realizar uma nova votação sobre a independência da Espanha dentro de dois anos, disse o chefe do governo da região na quinta-feira em um novo desafio para Madri.

Discursando no Parlamento catalão, o chefe regional pró-independência Quim Torra criticou os tumultos, dizendo que a causa separatista é um movimento pacífico.

Mas ele também defendeu o avanço do movimento secessionista, ao afirmar que as sentenças de prisão contra separatistas não impediriam uma nova votação sobre a independência. "Voltaremos às urnas novamente por autodeterminação", declarou.

A prefeitura de Barcelona informou que 400 contêineres de lixo foram incendiados na quarta-feira e estimou que a cidade sofreu danos que totalizam mais de 1 milhão de euros em dois dias. Alguns moradores da cidade condenaram os distúrbios.

"Isso não representa a maioria dos catalães, seja qual for o lado deles, seja pró-constituição ou pró-independência", disse Joan, um pequeno empresário de 50 anos.

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