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Bactéria faz Alemanha ficar em dúvida na hora de comer salada

12 jun 2011 - 10h25
(atualizado às 10h26)
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Julia Dócolas
Direto de Leipzig

Depois de cinco semanas e da repercussão mundial sobre o caso das mortes e de pessoas infectadas pela bactéria E.coli na Europa e em especial na Alemanha, a população vem repensando seus hábitos alimentares. O resultado já se reflete na agricultura europeia - principalmente na Espanha, país prematuramente acusado pela Alemanha por ser a fonte dos alimentos infectados. Pepino, alface e tomate - o básico da salada, continuam à venda nos supermercados mas estão ausentes das listas de compra dos consumidores mais preocupados e dos cardápios de alguns restaurantes.

Vendedor joga fora uma caixa de vegetais em um mercado de Viena; 30 pessoas morreram por causa da bactéria
Vendedor joga fora uma caixa de vegetais em um mercado de Viena; 30 pessoas morreram por causa da bactéria
Foto: Reuters

Apesar da afirmação de Daniel Bahr, ministro da saúde da Alemanha, que o pior já passou, ele afirma que é importante manter um estado de alerta para possíveis novas infecções. Até agora, as pesquisas não conseguiram revelar a origem da infecção. Opiniões divergem sobre a origem da bactéria. Durante a última semana, jornais alemães publicaram que as criações de gado não estão imunes à bactéria, que pode se modificar e se tornar ainda mais perigosa. Já o jornal Süddeutsche Zeitung da última sexta afirmou que o perigo vem do broto de feijão e que o consumo dos três vegetais estaria liberado.

Entre os aproximadamente 2,4 mil casos no país, a maioria das vítimas são mulheres. O foco das ocorrências concentra-se no norte, na região de Hamburgo. Entretanto, as mudanças em função da incerteza sobre o que evitar na hora de comer são visíveis no dia a dia dos alemães de todas as regiões.

No refeitório da Universidade de Leipzig, capital da Saxônia, por exemplo, a ilha de saladas literalmente perdeu a cor. Oferece-se queijo branco, cenoura ralada, broto de feijão e beterraba. Para suprir a falta de variedade, são servidas saladas de macarrão e de batatas.

Nas feiras, a alternativa foi reduzir os preços dos vegetais. Para atrair o consumidor, os feirantes apostam na promoção leve dois, pague um. Alguns se sentem ainda desconfortáveis para falar sobre o assunto. Já em alguns supermercados, o foco é a esclarecer a procedência supostamente "segura" dos produtos, originados da Alemanha, da Bélgica ou da Holanda, na tentativa de aumentar as vendas.

"Nós tivemos uma queda de 30% a 40% nas vendas de frutas e legumes", declarou um porta-voz da Federação de Comércio da Alemanha (HDE) à revista Stern. Enquanto isso, a desconfiança sobre outros vegetais cresce.

Enquanto isso, as pessoas adaptam-se às novas regras. Ao conversar com alguns estudantes no refeitório, as opiniões divergem, mas a maioria tenta evitar pelo menos tomate, alface e pepino.

A estudante Ana Heinz, 27 anos, afirma que dispensou a salada e só come legumes cozidos, pois a situação pode ser mais séria do que parece. "Meus pais moram em Hamburgo e contam que a situação está crítica, principalmente nos hospitais. Já que ninguém descobre as causas, desconfia-se até que a contaminação tenha sido uma coisa armada", conta.

Já Polina Axenova, 24 anos, até se arrisca a comer salada de fast-foods, pois ela acredita que o controle de higiene desses estabelecimentos é mais rígido. "Acabo não comendo muita salada, a opção é consumir mais frutas", diz.

Na dúvida, a estudante Mariana Blüm, 27, conversou com um médico pra desmistificar a polêmica. "Estou evitando comer salada em restaurantes e preferindo legumes cozidos. Mas em geral, não estou dando muita bola pra isso. Conversei com um amigo meu que é médico em Berlim, que disse que os casos ocorrentes lá são poucos, e que não ha motivos pra preocupações extremas".

Fernanda Ivatiuk, 26 anos, é mais cética quanto à gravidade da situação e afirma não ter alterado seus hábitos alimentares. "Eu acho que o alarde provocado pela mídia é muito grande e resulta num pânico geral e infundado. Claro que é necessário tomar cuidado, como lavar bem os alimentos antes de consumi-los. Mas eu continuo comendo salada normalmente. Não acho que os estabelecimentos venderiam os produtos se eles fossem impróprios para consumo, ainda mais aqui na Alemanha".

Fonte: Especial para Terra
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