Autópsia de homem morto em abordagem policial na Itália revela sangue em pulmões
'Pode haver um quadro de asfixia por compressão', disse advogado da família da vítima
A autópsia de Abderrahim Fakir, o marroquino de 42 anos morto durante uma abordagem policial na Itália, no último domingo (19), constatou a presença de sangue vivo nos pulmões da vítima e sinais de esmagamento.
O exame foi realizado nesta sexta-feira (24), no âmbito de um inquérito do Ministério Público por suspeita de homicídio culposo, que analisa a conduta dos dois policiais que imobilizaram o imigrante e de quatro paramédicos que participaram da ocorrência.
Segundo fontes ouvidas pela ANSA, ainda é preciso estabelecer se a presença de sangue nos pulmões foi causada por um eventual uso de cocaína por parte de Fakir ? a polícia não encontrou drogas na casa do marroquino ? ou por um uso excessivo da força pelos agentes.
Também é necessário avaliar se o esmagamento é resultado da ação policial ou de manobras de reanimação conduzidas pelos paramédicos após a morte do imigrante. "Não sou um médico legista, mas acho que pode haver um indubitável quadro de asfixia por compressão, porém é preciso esperar as conclusões da perícia", afirmou o advogado da família de Fakir, Fabio Anselmo.
O marroquino, que vivia na Itália desde a infância, morreu após ser imobilizado no chão com o rosto virado para baixo por dois policiais. Em um vídeo gravado por uma testemunha, é possível ouvi-lo gritando "ajuda" e "basta", enquanto os agentes tentam contê-lo, prendendo suas mãos e pés, antes de ele desmaiar.
Imagem de abordagem a imigrante marroquinoAs forças de segurança haviam sido acionadas para intervir porque Fakir estaria em "crise psiquiátrica" e perturbando a ordem pública, de acordo com fontes que acompanham o caso. Outros vídeos mostram que o marroquino estava em estado de agitação e confusão antes da chegada da polícia.
De acordo com fontes ouvidas pela ANSA, o imigrante havia iniciado recentemente um tratamento para problemas mentais e tinha consulta agendada para o início de agosto.
Já o jornal Il Messaggero publicou que uma tomografia computadorizada dos ossos realizada na quinta-feira (23) sugere que a vítima sofreu asfixia devido a danos em seu trato respiratório, mas a causa exata do óbito será determinada pelo resultado da autópsia.
O caso gerou protestos contra a polícia na Itália, mas o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, disse acreditar que a investigação vai comprovar a inocência dos agentes. "Esse é o enésimo episódio que evidencia a complexidade do trabalho das forças de polícia", disse ele à emissora La7. Segundo Piantedosi, imagens da abordagem mostram que os oficiais lidaram com a situação "com a delicadeza exigida nessas condições".
O ministro foi rebatido pelo advogado da família de Fakir, que o acusou de interferir no trabalho da magistratura. "Fiquei chocado ao ler as declarações de Piantedosi. Mais um ministro deste governo defendendo as ações dos policiais independentemente de tudo. Então eu me questiono para que fizemos uma autópsia", declarou Anselmo.
Enquanto isso, o advogado dos dois policiais envolvidos no caso, Gabriele Bordoni, assegurou que ambos tentaram "proteger" o imigrante contra "eventos negativos". Já a esposa de Fakir afirmou a uma TV marroquina que seu marido foi "executado". "O que aconteceu não é certo, não é normal, ninguém o ajudou", acrescentou.
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