Ataques à infraestrutura elevam alerta de segurança na Alemanha
A Alemanha está em alerta após uma onda de sabotagens a usinas de energia, ferrovias e empresas de defesa. Com 160 atos de sabotagem e centenas de drones suspeitos registrados em 2025, o governo aponta a Rússia como responsável por investidas de guerra híbrida devido ao apoio alemão à Ucrânia, agravando a crise diplomática entre os países. A onda de ataques gera insegurança popular e pressiona autoridades e empresas privadas a investirem com urgência na proteção da infraestrutura crítica nacional.
Sabotagens, explosões e incidentes com drones se multiplicam, alimentam temores sobre a proteção da infraestrutura crítica alemã e ampliam tensões com a Rússia, apontada como responsável pela ofensiva.Na manhã de terça-feira (01/09), pessoas ainda não identificadas tentaram atacar o fornecimento de energia próximo à importante usina de carvão de Jänschwalde, em Brandemburgo, alcançando parcialmente o objetivo. Na mesma noite, ocorreu uma falha em outra subestação nas proximidades de Colônia, supostamente causada por sabotagem.
Na quarta-feira, houve uma explosão perto da estação ferroviária da cidade bávara de Augsburg. Segundo os investigadores, ela foi provocada por uma granada de mão. Além disso, durante a madrugada de quinta-feira, vários artefatos incendiários foram lançados contra um canteiro de obras em Munique, nas imediações de diversas empresas do setor de defesa. Na noite de quinta-feira, por fim, um objeto suspeito foi encontrado em uma subestação em Dormagen, entre Colônia e Düsseldorf. Segundo as autoridades, há uma carta de reivindicação de autoria do ato.
160 ataques à infraestrutura crítica só neste ano
Enquanto ainda não está claro quem está por trás dos ataques em Jänschwalde, Colônia e Augsburg, pelo menos dois suspeitos - aparentemente cidadãos búlgaros - foram presos em Munique.
Todos os episódios têm algo em comum: os ataques parecem ter como alvo a chamada infraestrutura crítica. Trata-se de instalações de fornecimento de energia, ferrovias, empresas consideradas essenciais para a segurança nacional e companhias do setor de defesa. Em conjunto, todos esses alvos dificilmente podem ser protegidos de forma completa. Veículos de comunicação relatam, com base em um documento interno, que o Departamento Federal de Investigações da Alemanha (BKA) já registrou neste ano 160 possíveis atos de sabotagem e mais de 700 avistamentos suspeitos de drones.
Cresce a preocupação entre a população
Mesmo que os detalhes de cada incidente ainda não estejam esclarecidos, eles provocam na população uma sensação constante de ameaça, reforçada pela rápida sucessão dos acontecimentos. Em Berlim, a DW conversou com alguns passantes.
Uma mulher descreveu sua reação imediata: "Medo. Acabei de conversar com meu colega sobre isso. Isso me deixa muito insegura. Penso muito no assunto e, ao mesmo tempo, ninguém fala sobre ele. Talvez seja medo e as pessoas prefiram simplesmente evitar o tema."
Um homem acrescentou: "Primeiro precisamos tomar consciência de que algo está acontecendo, de que estamos sendo atacados. Tenho relações muito próximas com a Rússia, tenho amigos russos muito próximos, e dói muito ver o que está acontecendo."
E, para outro entrevistado, uma coisa é clara: "Não me preocupa apenas o risco de novos ataques acontecerem, mas também que isso gere agora um clima de insegurança e inquietação na população. E isso não me parece adequado justamente em um mês com tantas eleições importantes."
Relações congeladas entre Alemanha e Rússia
O fato de muitas pessoas associarem imediatamente a Rússia ao aumento desses ataques tem uma razão. Também nesta semana, na terça-feira, o ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt (CSU), e o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul (CDU), informaram à imprensa que o governo alemão está convencido de que forças russas estiveram por trás da tentativa de ataque com drones ao aeroporto de Halle/Leipzig em 4 de agosto.
Em resposta, o governo anunciou o fechamento do Consulado-Geral da Rússia em Bonn e da Casa da Rússia em Berlim. Moscou, por sua vez, pretende fechar o Instituto Goethe em Moscou. Um verdadeiro congelamento das relações entre os dois países.
"Não estamos em guerra, mas também não estamos mais em paz", afirmou o chanceler federal Friedrich Merz (CDU) já no ano passado.
O fato é que, desde a invasão russa da Ucrânia no início de 2022, a Alemanha se tornou um dos principais apoiadores da Ucrânia, tanto financeiramente quanto militarmente, embora tanto o governo anterior quanto o atual insistam que o país não é parte direta do conflito.
Apoio à Ucrânia como possível motivação?
Também a partir desse período, as Forças Armadas alemãs, que haviam passado anos sendo reduzidas, estão sendo reequipadas e fortalecidas em ritmo acelerado. O objetivo é responder a uma possível ameaça russa também na Europa Central.
Nem em guerra, nem em paz: Sönke Marahrens, coronel das Forças Armadas alemãs e especialista em segurança da Universidade Christian Albrecht de Kiel, acredita que seria melhor que a população alemã se preparasse para essa nova forma de confronto, independentemente de quem esteja por trás dos ataques.
"Na minha opinião, guerra híbrida e atividades híbridas são a mesma coisa, porque utilizam os mesmos meios. Estados estrangeiros ou organizações perseguem seus interesses estratégicos sem recorrer à diplomacia. Isso pode significar sabotagem, desinformação e ataques à infraestrutura crítica", declarou ele à DW. Mesmo assim, o pesquisador ressalta que dificilmente se pode falar de um estado de guerra.
Empresas privadas devem proteger melhor sua infraestrutura
No entanto, atribuir imediatamente cada um desses incidentes à Rússia seria uma simplificação excessiva. No início do ano, por exemplo, um ataque a uma ponte de cabos no sudoeste de Berlim deixou centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica durante vários dias, em pleno inverno alemão. Suspeita-se que grupos de extrema esquerda estejam por trás do atentado, que ainda não foi esclarecido.
Há muito tempo já se discute na Alemanha como se preparar melhor para esse tipo de ataque no futuro. No início do ano, o governo aprovou uma lei conhecida como "Kritis", destinada a reforçar a proteção da infraestrutura crítica. No entanto, muitos especialistas consideram que ela ainda é insuficiente.
O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul (CDU), destacou que instalações críticas pertencentes a empresas privadas já podem ser monitoradas por câmeras de vídeo, mas que a vigilância das áreas ao redor é responsabilidade das autoridades policiais.
"Na Alemanha, somos muito sensíveis a questões relacionadas a sistemas de videomonitoramento e, de forma geral, a tudo o que envolve interferências nos direitos dos cidadãos ou na proteção de dados", afirmou Reul.
Ele defendeu ainda que as próprias empresas precisam investir mais na segurança de suas instalações. A Associação Alemã de Polícia (DPolG) tem opinião semelhante. Seu presidente, Heiko Teggatz, declarou que a proteção da infraestrutura crítica não é uma tarefa originalmente atribuída à polícia, mas, em primeiro lugar, responsabilidade dos próprios operadores:
"Quem é responsável pela segurança de suas instalações também deve investir na proteção delas."
Segundo ele, não faltam recursos tecnológicos, mas sim investimentos consistentes para colocá-los em prática.
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