Ataque de drone causa incêndio próximo à central nuclear nos Emirados Árabes
Um incêndio ocorreu após um ataque de drone perto da usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, sem deixar feridos nem provocar aumento da radioatividade, anunciaram neste domingo (17) as autoridades locais.
O incidente acontece enquanto monarquias do Golfo acusam o Irã de ter realizado ataques com drones em seus territórios, apesar do cessar-fogo anunciado em 8 de abril, que pôs fim às hostilidades iniciadas no fim de fevereiro entre a República Islâmica, Israel e os Estados Unidos.
"As autoridades de Abu Dhabi intervieram após um incêndio em um gerador elétrico localizado fora do perímetro interno da usina nuclear de Barakah (...) na sequência de um ataque de drone", informou em comunicado o serviço de imprensa do governo local.
"Nenhum ferido foi registrado e não houve impacto nos níveis de segurança radiológica", acrescentou a fonte, sem especificar a origem do ataque.
"A Autoridade Federal de Regulação Nuclear (FANR) confirmou que o incêndio não afetou a segurança da usina nem a disponibilidade de seus sistemas essenciais, e que todas as unidades estão funcionando normalmente", prosseguiu.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, expressou "sua profunda preocupação" em uma mensagem publicada no X.
"Inaceitável"
"Qualquer atividade militar que ameace a segurança nuclear é inaceitável", acrescentou o chefe da agência da ONU, afirmando ter sido informado pelos Emirados de que "os níveis de radiação na usina nuclear de Barakah permanecem normais e nenhum ferido foi registrado".
Construída por um consórcio sul-coreano liderado pela fornecedora de energia KEPCO, a usina nuclear de Barakah entrou em operação em 2020. Segundo a operadora pública Emirates Nuclear Energy Corporation (ENEC), ela produz 40 terawatts-hora por ano e cobre até 25% das necessidades elétricas dessa rica monarquia petrolífera.
Localizada a mais de 200 quilômetros a oeste de Abu Dhabi, próxima às fronteiras saudita e catariana, a usina fica mais perto de Doha do que dos principais centros urbanos dos Emirados.
Os Emirados Árabes Unidos foram o segundo país da região, depois do Irã, a possuir uma usina nuclear, e o primeiro no mundo árabe.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada em 28 de fevereiro por uma ofensiva israelo-americana contra o Irã, os Emirados foram alvo de mais de 2.800 mísseis e drones, sofrendo a maior parte das represálias iranianas entre as monarquias do Golfo.
Papel "ativo"
No início do mês, os Emirados já haviam atribuído ao Irã um ataque de drone contra uma instalação energética em Fujairah, no leste do país, acusação negada por Teerã.
Teerã, por sua vez, acusa países do Golfo de terem permitido que forças americanas utilizassem seus territórios para realizar ataques contra a República Islâmica.
A tensão aumentou ainda mais nesta semana após informações da imprensa indicando que os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita teriam realizado ataques diretos contra o Irã durante a guerra.
Os Emirados rejeitaram "categoricamente" as alegações de Teerã, que os acusa de desempenhar um papel "ativo" ao lado dos Estados Unidos e de Israel no conflito.
Apesar do cessar-fogo, o Irã continua bloqueando o estreito de Ormuz, uma rota estratégica do comércio mundial, enquanto os Estados Unidos também impõem um bloqueio aos portos iranianos.
Com AFP
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