Repórter "sequestra" entrevista na TV russa para protestar contra lei antigay
Convidado para comentar caso Bradley Manning, jornalista se recusou a falar sobre o tema para protestar contra lei antigay na Rússia
Um jornalista americano mudou o rumo de um debate ao vivo na rede emissora estatal do governo da Rússia e criticou a política local sobre os homossexuais. O repórter James Kirchick foi convidado para comentar a sentença contra o soldado Bradley Manning, que vazou documentos para o WikiLeaks e foi condenado a 35 anos nesta quarta-feira.
No entanto, ao ser questionado pela apresentadora, Kirchick surpreendeu ao vestir um suspensório com as cores do arco-íris e anunciar que não falaria sobre esse assunto, mas protestaria contra o que chamou de "rede de propaganda antigay financiada pelo Kremlin".
“Eu não acho interessante falar sobre Bradley Manning. Acho interessante falar sobre as violações dos direitos humanos e a homofobia na Rússia”, disse. Os apresentadores tentaram interromper o jornalista para o assunto em pauta, mas ele insistiu. “Vocês têm 24 horas por dia para mentir sobre a América. Eu vou dizer a verdade com meus dois minutos”, replicou Kirchick.
Seguindo com seu discurso, o repórter americano criticou os jornalistas da Russian Today (RT), dizendo que eles deveriam ter vergonha por sufocar esse debate. Kirchick participava do programa da emissora estatal direto de Estocolmo, na Suécia. Após o programa, ele denunciou pelo Twitter que foi deixado na estrada a caminho do aeroporto pela empresa de táxi após uma ligação de alguém da RT.
True fact: @RT_com just called taxi company that took me to studio to drop me off on the side of the highway on way to Stockholm airport
— Jamie Kirchick (@jkirchick) August 21, 2013
A Russian Today disse que foi obrigada a interromper a participação do americano no programa porque ele decidiu discutir seus pontos de vista ao invés do tema em pauta.