Avião da Marinha dos EUA, P8 Poseidon, retorna de um vôo de busca pelo Boeing da Malaysia Airlines, no aeroporto internacional de Perth, Austrália, em 31 de março
Foto: Reuters
De todas as 20 aeronaves e embarcações que vasculham o oceano Índico em busca dos restos do voo MH370 da Malaysia Airlines, o P-8 Poseidon, da Marinha norte-americana, parece ser o mais capaz de desvendar o mais intrigante mistério da aviação moderna.
Cinco estações de trabalho instaladas junto à fuselagem exibem vídeos de alta definição feitos com sensores ultrassecretos, fazendo desse um dos mais sofisticados aviões de vigilância do planeta.
No entanto, a mais recente missão numa caçada que já dura três semanas - passar cinco horas numa infrutífera varredura do mar a 90 metros de altura - serviu apenas para salientar a enormidade do desafio que a equipe internacional de buscas enfrenta.
"Esta é a minha primeira vez no oceano Índico, e é inquestionavelmente o pedaço de água mais intocado que eu já vi", disse o subcomandante naval David Mims, piloto do avião, durante um voo acompanhado pela Reuters nesta semana.
"É raro sair e não ver nenhuma massa de terra, não ver nenhum tráfego marítimo. Não há nada", disse ele. "É estranho".
Estados Unidos, China, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Japão participam das buscas, cerca de 2.000 quilômetros a oeste da cidade australiana de Perth.
Até agora, as buscas pelo Boeing 777 com 239 ocupantes não revelaram nada. Peças avistadas há alguns dias no mar eram na verdade equipamentos de pesca e outros detritos. O mau tempo obriga a sucessivas paralisações nas buscas.
Dois Poseidons participam da operação. A um preço em torno de 175 milhões de dólares cada um, esse avião está equipado com câmeras, sensores de radar e infravermelho, com a finalidade primordial de detectar submarinos inimigos submersos.
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Mas, apesar dos equipamentos avançados, a busca é basicamente visual, espiando pela escotilha.
"Sou por natureza um sujeito bastante otimista", disse o suboficial Michael Herman, posicionado diante de uma janela e do mar enevoado. "Mas, pois é, tá difícil".
O avião é tão cercado de sigilo que um jornalista da Reuters que teve o raro privilégio de embarcar nele precisou entregar todos os seus aparelhos eletrônicos e foi proibido de tirar fotos.
A tecnologia é impressionante. Diante de um par de monitores empilhados, o suboficial Julio Cerpa opera uma câmera panorâmica que rapidamente faz zoom em pedaços distantes do oceano, com grande clareza.
Uma versão infravermelha da mesma câmera "fura" a neblina, oferecendo uma visão polarizada e com certo aspecto de pesadelo.
Após cerca de duas horas de buscas, a monotonia começa a desgastar a tripulação. O suboficial Sam Judd começa pouco a pouco a escalar o espaldar da sua cadeira, até ficar totalmente empoleirado. As mãos de Cerpa transformam a sua estação de trabalho no mais caro atabaque do mundo.
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E aí o avião começa a subir de volta até 30 mil pés (9.000 metros), sem ter encontrado nada. A viagem total, incluindo o tempo de ida e volta até a zona de buscas, dura cerca de dez horas.
Olhando de fora, a experiência pode ser frustrante, mas os tripulantes mantêm um ar notavelmente otimista. Mesmo uma viagem infrutífera serve para descartar uma parte da zona de buscas, sendo assim uma parte importante da procura pelos destroços, diz o piloto Mims.
"Estar tão avançado no processo de busca e ter tanto oceano para cobrir definitivamente faz dessa uma evolução desafiadora", diz ele. "Mas, se estiver na nossa área, acho que a probabilidade de encontrar é grande".
24 de março - aviadores navais durante uma missão para ajudar nas operações de busca do vôo MH370 da Malaysia Airlines. Ventos fortes e clima gelado interromperam as buscas aéreas em 27 de março
Foto: Reuters
24 de março - Oficiais americanos monitoram estação de trabalho, em um P-8A Poseidon, durante operações de busca do vôo MH370 da Malaysia Airlines
Foto: Reuters
27 de março - Tela de navegação utilizada por pilotos a bordo de um Air Force AP-3C da Força Aérea da Austrália mostra sua localização atual representada por um círculo branco, durante missão para procurar o Boeing desaparecido da da Malaysian Airlines
Foto: Reuters
27 de março - Membros da tripulação a bordo de um Air Force AP-3C Orion da Força Aérea Australiana observam mapas de navegação, durante operação de busca pelo Boeing da Malaysian Airlines sobre o Oceano Índico meridional
Foto: Reuters
27 de março - Tenente Jayson Nichols olha para um mapa, enquanto voa a bordo de um Air Force AP-3C Orion da Força Aérea Australiana procurando pelo Boeing 777 da Malaysian Airlines sobre o Oceano Índico meridional
Foto: Reuters
Imagem de satélite feita em 24 de março mostra objetos flutuantes no sul do Oceano Índico. Imagem foi divulgada pela Agência de Desenvolvimento de Tecnologia Espacial (GISTDA), em 27 de março
Foto: Reuters
Autoridades acreditam que o Boeing 777 da Malaysia Airlines tenha caído no sul do Oceano Índico. Diversas imagens de satélite já foram divulgadas mostrando o que poderia ser um grande campo de destroços do avião na região
Foto: Reuters
27 de março - excesso de combustível é despejado de um bico que se projeta da asa esquerda de um avião da Força Aérea Australiana antes do pouso, depois de participar de missão de busca
Foto: Reuters
27 de março - aeronave da Força Aérea Australiana depois de voltar de um vôo de busca pelo Boeing da Malaysia Airlines MH370, à base de Pearce, perto de Perth, Austrália
Foto: Reuters
Sub tenente diretor Samuel Archibald observa o oceano através de um binóculos durante a mais um dia de buscas por destroços do avião da Malásia
Foto: Reuters
Navio da marinha Australiana dá mais combustível para o navio da Royal Navy Malásia KD Lekiu, para que este possa dar sequência nas buscas por rastros do avião da Malásia
Foto: Reuters
Continuam as buscas por destroços do avião da Malásia que desapareceu no Oceano Índico. Chances de encontrar qualquer coisa na superfície diminuiu e a busca agora é no fundo do mar
Foto: Reuters
Mergulhadores vão atrás de destroços ou de rastros do avião da Malásia, no Oceano Índico, na região da Austrália. Área de busca abrange 77,580 quilômetros quadrados de oceano
Foto: AP
Mergulhadores vão atrás de destroços ou de rastros do avião da Malásia, no Oceano Índico, na região da Austrália. Área de busca abrange 77,580 quilômetros quadrados de oceano
Foto: AP
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