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Ásia

Filipinas: mulher do ditador Ferdinand faz guia sobre o país

10 set 2011 - 06h06
(atualizado às 08h37)
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Os excessos e vivências da mulher mais famosa e polêmica das Filipinas, Imelda Marcos, durante a época na qual influenciou o poder de seu marido, o ditador Ferdinand, são retratados em um percurso turístico.

"Quero explicar a história das Filipinas nos anos 70, os tempos da Guerra Fria e a Lei Marcial instaurada por Ferdinand Marcos entre 1972 e 1981 através da mulher que definiu aquela época: Imelda Romualdez Marcos", diz à agência Efe Carlos Celdran, guia e curador do tour "Vivendo a vida Imelda".

Com um chapéu-coco e chamativos óculos de tartaruga, Celdran conduz um grupo de dezenas de turistas pelo grandioso complexo do Centro Cultural das Filipinas, carro-chefe do conjunto arquitetônico que a viúva do ditador mandou construir no final dos anos 60, junto à baía de Manila.

Inaugurado em 1969, com a ajuda do então governador da Califórnia Ronald Reagan, este centro se transformou na grande referência artística da Ásia ao receber espetáculos internacionais como os balés de Rudolph Nureyev.

Com uma notável facilidade para prender a atenção do visitante e seus dotes de ator, Celdran percorre as salas do antigo edifício enquanto vai retratando com suas explicações o período no qual Imelda transitava em meio a presidentes e primeiras-damas americanas e estrelas de Hollywood.

"Depois de visitar o Lincoln Center em Nova York, Imelda retornou a Manila maravilhada e empenhada em fazer algo parecido. Ela queria tudo pronto em um prazo de dois anos com materiais de luxo como o mármore e carregado com todo tipo de ornamentos", explica Celdran.

Em torno do complexo se encontram alguns dos maiores exemplos do gosto de Imelda pela exuberância, como o gigantesco Centro Nacional de Convenções das Filipinas, agora praticamente em desuso, e o Palácio Coconut, um luxuoso palacete construído com a madeira de coqueiros.

"Imelda visitou os camponeses e os repreendeu porque suas palhoças eram feias. Eles contestaram explicando que só tinham coqueiros e não podiam fazer mais e a resposta de Imelda foi erguer um palácio com materiais extraídos dessas árvores para demonstrar que não havia desculpas quando se trata de criar beleza", comenta Celdran.

A primeira-dama projetou o palácio para receber o papa João Paulo II em sua visita às Filipinas em 1981, mas o Vaticano recusou que o Pontífice se hospedasse nesse pomposo complexo, em um país do terceiro mundo onde grande parte da população padecia de desnutrição.

No Palácio Coconut se hospedaram o ator George Hamilton, assíduo às festas da alta sociedade manilenha, a atriz Brooke Shields, e o ditador líbio Muammar Kadafi.

Em seu relato, Celdran acompanha a história dos edifícios com comentários maliciosos sobre as infidelidades amorosas do ditador com a atriz americana Dovie Beams e divertidos relatos sobre os encontros de Imelda com líderes mundiais como Henry Kissinger, Fidel Castro Kadafi.

Outra construção que ilustra muito bem o espírito do reinado de Imelda é o Teatro de Arte Popular, com capacidade para 10 mil pessoas e construído as pressas, em 77 dias, para abrigar o concurso de Miss Universo de 1974, que coroou a espanhola Amparo Muñoz.

"Pouco antes do evento, Manila sofreu um dos tufões mais fortes do século e uma das primeiras medidas que Imelda adotou foi pintar de verde os jardins que cercavam o concurso porque as enchentes tinham os estragado", conta Celdran.

Para o guia, Imelda, que a seus 82 anos ocupa uma cadeira no Congresso, continua sendo "um personagem misterioso e sua contribuição à identidade nacional filipina é inegável" e acrescenta que ela "Fez coisas boas e ruins, mas ignorá-la na história filipina seria como não ver um elefante dentro de um quarto. Não é só sua figura, mas a arquitetura que criou e o desenvolvimento artístico que floresceu sob seu comando".

Imelda Marcos foi um apoio fundamental para seu marido, que governou o país com punho de ferro entre 1965 e 1986, quando uma revolta popular apoiada pelo Exército e a Igreja os obrigou a se exilar ao Havaí, onde Ferdinand morreu em 1989.

EFE   
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