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Ásia

Diário da Coreia do Norte: na zona desmilitarizada, tensão com o sul

Confira o quarto relato de uma série sobre o cotidiano norte-coreano

25 out 2013 - 17h44
(atualizado às 17h55)
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Entre os dias 2 e 6 de outubro, a jornalista Fernanda Morena, que mora em Pequim, fez uma viagem à Coreia do Norte. Até sábado, o Terra publica um diário de viagem com as impressões da repórter sobre o regime mais fechado do mundo. Se você não leu os três primeiros textos, dá para conferir clicando nos números 1, 2 e 3. Abaixo e ao longo do texto, fotos exclusivas mostram o cotidiano do país de Kim Jong-un.

No último dia na Coreia do Norte, vamos a Kaesong - a antiga capital da Dinastia Koryo, que controlou as duas Coreias de 918 a 1392. Desde junho deste ano, a cidade é Patrimônio Histórico da Humanidade, a segunda na Coreia do Norte tombada pela Unesco.

De Pyongyang a Kaesong são mais três horas em uma estrada esburacada. Sem nenhum posto para parar, tomar um suco, comer algo ou ir ao banheiro, é mesmo na estrada que meus companheiros de ônibus descem para esticar as pernas, fazer xixi,  fumar um cigarro.

Nesses 137 quilômetros, somos parados quatro vezes pela guarda nacional, que precisa checar nossos documentos (que não estão com a gente, mas com os guias). Ao redor da estrada, quilômetros e quilômetros de plantações e solo arenoso. Kaesong, na fronteira com a Coreia do Sul, é controlada intensamente.

Painel mostra último documento assinado por Kim Il-sun, um dia antes de ele morrer
Painel mostra último documento assinado por Kim Il-sun, um dia antes de ele morrer
Foto: Fernanda Morena / Especial para Terra

Almoço

Vamos direto ao restaurante Tongli, aquele que serve a todos os turistas que visitam a pequena cidade. Os pratos são incrivelmente organizados em porções individuais - diferentemente do costume comum. Somos servidos de baijiu (o saquê chinês) e água quente - como na China. A Srta. Zhou, nossa guia local, me garante que todos os pratos são típicos da culinária local, e que eles não foram alterados para o gosto chinês.

Alterada para os chineses só mesmo a lojinha, que vende de palitinhos norte-coreanos para comer (bem mais finos do que os que estou acostumada) a café enlatado, com os preços em RMBs - a moeda chinesa. Estrangeiros não podem comprar nada em moeda local. Eu sequer vi uma nota. Pedi ao Mr. Kim, nosso guia, para me mostrar uma, mas ele disse que não tinha dinheiro. Não insisti.

Para os coreanos, cem lojas estatais estão abertas para que eles comprem o que quiserem: roupas, comida (com um limite mensal), bebida, cigarros. Outras cem lojas serão abertas ainda neste ano, segundo a Srta. Zhou.

Parada do ônibus. A paisagem era semelhante à viagem de Dandong a Pyongyang, revelando uma geografia pobre
Parada do ônibus. A paisagem era semelhante à viagem de Dandong a Pyongyang, revelando uma geografia pobre
Foto: Fernanda Morena / Especial para Terra

Visita à zona desmilitarizada

Depois do almoço é hora de ir à DMZ - a Zona Desmilitarizada na fronteira entre a Coreia do Norte e a do Sul. Essa é a mais perigosa zona  fora de conflito no mundo - especialmente depois que as tensões entre os vizinhos aumentaram com o teste nuclear conduzido por Pyongyang em fevereiro deste ano.

A DMZ cobre uma área de quatro quilômetros de largura e 250 quilômetros de extensão, igualmente dividida entre o norte e o sul e devidamente demarcada pelas respectivas bandeiras - a 170 metros do solo, são as mais altas do mundo. Na parte central fica Panmunjeom, onde foi assinado, em 1953, o acordo de cessar-fogo entre Coreia do Norte, China e Nações Unidas. A última, representada pelos Estados Unidos.

Da sacada do prédio norte-coreano é possível ver a base militar dos sul-coreanos. No centro, os pavilhões azuis, para negociação, são controlados pelos norte-americanos; os cinzas são controlados pelo exército de Kim Jong-un
Da sacada do prédio norte-coreano é possível ver a base militar dos sul-coreanos. No centro, os pavilhões azuis, para negociação, são controlados pelos norte-americanos; os cinzas são controlados pelo exército de Kim Jong-un
Foto: Fernanda Morena / Especial para Terra

Durante a visita, somos constantemente vigiados. Centenas de turistas visitam Panmunjeom diariamente, e os grupos são separados entre os lados: quando visitantes entram pela Coreia do Norte, a borda sul é fechada para turismo, e vice-versa. Nós precisamos guardar câmeras nas mochilas para andar pela DMZ, e uma meia dúzia de militares locais circulam em nossa volta para ter certeza de que ninguém está fazendo imagens ilegalmente.

Guia local me chama para tirar uma foto ao seu lado e pergunta, através da Srta. Zhou (que me traduz pro chinês) se eu sou russa
Guia local me chama para tirar uma foto ao seu lado e pergunta, através da Srta. Zhou (que me traduz pro chinês) se eu sou russa
Foto: Fernanda Morena / Especial para Terra

Do alto do prédio principal da parte austral vemos a sala de reuniões, coordenada pelos norte-americanos, e o prédio da Coreia do Sul. Somente lá de cima podemos tirar fotos - até mesmo posando com o nosso guia local. Os demais militares não podem aparecer nas imagens.

A animosidade contra os americanos é presença forte em todo o país, e mais ainda na DMZ. Conto ao Mr. Kim que tentei visitar Panmunjeom pelo lado sul quando foi a Seul, capital da Coreia do Sul, no ano passado, mas que o passeio havia sido cancelado em função de um exercício militar conduzido pelos EUA no dia. "Pena, poderia ter atirado em todo mundo", ele fala e ri. O senso de humor norte-coreano, como eu havia anteriormente presenciado, é bélico.

<a data-cke-saved-href=" http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/reportagem-internacional/iframe.htm" href=" http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/reportagem-internacional/iframe.htm">veja o infográfico</a>
Fonte: Terra
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