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Ásia

Cidade de Chongqing vira a nova "capital vermelha" da China

22 abr 2011 - 10h06
(atualizado às 12h06)
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A cidade de Chongqing, uma das maiores que margeiam o rio Yang Tsé, parece ter viajado no tempo até a Revolução Cultural: sua televisão local só emite programas sobre comunismo, seus cidadãos são obrigados a entoar canções patrióticas, e as massas, vestidas de vermelho, lembram a época de Mao Tsé-Tung. Tudo isso se deve a uma obsessiva campanha de promoção da "cultura vermelha", como se chama na China tudo que é relacionado ao maoísmo, por parte do atual secretário do Partido Comunista na localidade, o carismático Bo Xilai. O ex-ministro do Comércio chinês tem pretensões de voltar às altas esferas do poder em 2012 e 2013.

Xilai, famoso nacionalmente também por lançar uma implacável campanha contra as tríades - máfias - que dominavam a política e a justiça de Chongqing antes de sua chegada, é filho de um dos heróis comunistas, Bo Yibo (falecido em 2008 aos 98 anos), simpatizante de Mao Tsé-Tung desde os primórdios da revolução. Isso explica em parte a paixão do filho em lembrar épocas de outros líderes chineses, que a maioria dos chineses já esqueceu, ou mesmo são expressamente omitidas nos livros oficiais.

Há detalhes da campanha "vermelha" de Xilai que deixam todos os observadores perplexos, como o recente ato de comemoração do 90º aniversário do Partido Comunista da China (PCCh) na cidade, no qual 10 mil pessoas vestidas de vermelho formaram a Guarda Vermelha em uma das principais praças da cidade. O evento, realizado no final de março, oferecia imagens que lembravam inclusive os obscuros tempos da Revolução Cultural (1966-76), uma época em que os líderes comunistas chineses evitam lembrar e que inclusive para Xilai e seu pai não foi positiva, já que a família passou 10 anos em prisões e campos de trabalho.

O ex-ministro do Comércio não só organiza atos maciços de exaltação ao comunismo: como também ordenou há meses que a televisão local não emita anúncios nem programas comerciais. O objetivo é oferecer durante 24 horas programas de história sobre a revolução maoísta e outros espaços para injetar patriotismo.

O novo plano acarretou uma queda significativa da audiência do canal local (Chongqing TV). Porém, Xilai não pareceu se importar, e na mesma semana ordenou que os habitantes do município (30 milhões) aprendam 36 canções compostas para comemorar o aniversário do PCCh. Rádio e televisão emitirão melodias que serão divulgadas nos jornais locais, por ordem do líder.

Para os analistas, a "maoização" de Chongqing, unida à campanha contra as máfias locais, é o esforço do secretário do PCCh para que o poder central em Pequim leve em consideração quando a cúpula comunista se remodelar, em 2012 e 2013 (quando o presidente Hu Jintao e o primeiro-ministro Wen Jiabao saírem). Xilai almeja entrar no Comitê Permanente do Politburo do partido (as nove pessoas que dirigem o destino da China) e faz uma espécie de "campanha eleitoral" para aspirar a esse posto, analisa o especialista Francesco Sisci. Um movimento nunca antes visto no comunismo chinês, e que segundo Sisci pode mudar a forma de fazer política no país asiático.

"Aprovado este exemplo, outros poderiam segui-lo e fazer campanha da mesma forma, e seria uma questão de tempo que se formalizassem linhas de oposição", algo que segundo ele "é um sinal verde rumo à democracia multipartidária na China". Uma situação inédita, e que, segundo os observadores, gera espanto na cúpula central em Pequim: muitos líderes máximos optaram por ignorar os movimentos de Xilai, mas este também conseguiu alguns apoios decisivos.

De fato, informou recentemente o jornal South China Morning Post, cinco dos principais líderes chineses em departamentos como propaganda e política interna do PCCh visitaram Chongqing e elogiaram suas medidas. Entre eles o presidente do Legislativo, Wu Bangguo ("número dois" na hierarquia comunista), quem destacou que outras regiões chinesas deveriam tomar exemplo na luta contra as tríades, que em Chongqing, cidade próxima à gigantesca represa de Três Gargantas, conseguiu reduzir a delinquência em 40%.

EFE   
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